domingo, 14 de novembro de 2010

Os técnicos cinéfilos

Ouvi dizer que filme brasileiro sobre futebol não consegue boa bilheteria. "Pelé Eterno" até conseguiu uma arrecadação legal, mas nem de longe, longe mesmo, chega perto dos “sucessos” nacionais como os terríveis e podres filmes da Xuxa ou a boa franquia Tropa de Elite. Pensei que talvez o modelo de longa esportivo devesse ser substituído, ao invés de documentários, os filmes biográficos poderiam fazer algum sucesso. Ai você me diz que isso já aconteceu, com o Pelé e também com o Garrincha, já que foi lançada uma película contando a história do Mané, os atores foram André Gonçalves e Taís Araújo. A produção se chama “Garrincha-Estrela Solitária”, de 2003.
Imaginei algo original para essas biografias, talvez filmes sobre os técnicos brasileiros, aqueles que todos conhecemos. Um longa sobre o Joel Santana por exemplo, mostrando a vida do garoto que nunca largava sua prancheta, parecia que gostava mais dela do que seus amigos e família. Não largava o artefato nem mesmo pra tomar banho. Joel também não era bom aluno em inglês, e ai o filme poderia dar um pulo para o presente e mostrar a famosa entrevista do técnico durante a Copa das Confederações de 2009, que até virou funk.
Se fizessem um filme sobre o Vanderlei Luxemburgo, poderiam explorar a temática do patinho feio, ninguém dava nada por ele mas no final se deu bem. O cara era lateral esquerdo reserva do Flamengo, quase nunca jogava, era um jogador medíocre. Porém, cresceu e virou um dos técnicos mais vitoriosos do país. Sei que hoje ele está decadente, mas essa parte não precisa entrar no filme.
Os roteiristas podiam soltar a imaginação também né. Por que o técnico da seleção brasileira tem “Mano” no nome? Aí podia vir a história de Menezes como rapper numa pequena cidade no Rio Grande do Sul. Ele foi um dos criadores do movimento rapúcho, o rap com sotaque gaúcho. Mas sofreu preconceito por ser branco  meio no estilo do filme 8 mile com o Eminem. Por isso largou o rap e virou treinador de futebol.
Ou talvez um treinador mais das antigas, como Zagallo. Na cena de seu filme, poderia ter o técnico ainda criança gritando com a família durante o jantar: “Vocês vão ter que me engolir, me engolir!!”. Em outro momento os amigos ou os pais gritavam: “Foda-se que esse troço tem treze letras” e o menino Zagallo ficava triste.
Acho que essa mudança de script poderia render uma bilheteria melhor.

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