sábado, 6 de agosto de 2011

Espantando carrascos

O Vasco surpreende, e mesmo com o título da Copa do Brasil quer também o troféu de campeão brasileiro em 2011. Tem time para isso, mas poderia trazer mais dois ou três reforços  e assim ter um elenco maior para uma competição tão longa como é o Brasileirão. Na última quarta-feira a equipe de Ricardo Gomes venceu o Santos por 2 a 0, gols de Diego Souza e Dedé, que aproveitou a falha na saída do goleiro Rafael.
Vencer o Peixe não é algo incomum, o confronto entre estes dois times é equilibrado. O grande feito dos cruzmaltinos foi ter vencido Muricy Ramalho, este sim, um carrasco que não tem pena do bacalhau. Gosto de pesquisar sobre futebol, e descobri no site futpédia que o treinador do Santos perdeu apenas três vezes para o time da Colina, enquanto que os venceu por 12 , um ótimo retrospecto. No entanto, o carrasco não pôde nem ter um pequeno gostinho de triunfo na última quarta-feira, com dois minutos de jogo o Vasco já tinha feito 1 a 0, para acabar de vez com esse algoz. Antes, a última vitória contra Muricy foi a quase sete anos, no Brasileirão 2004, quando ganhou do Internacional no RJ por 2 a 0.
Outro  que sempre se deu bem contra o time da colina é Adilson Batista. Nunca havia perdido para os cruzmaltinos, e acumulou pelo menos uma vitória contra os cariocas nos times que comandou: Grêmio, Paraná, Paysandu, Figueirense e Cruzeiro. Ao chegar no Atlético-PR a história mudou, nas quartas-de-final da Copa do Brasil o Vasco eliminou os paranaenses. Não venceu, empatou  por duas vezes e ganhou a vaga  no gol fora de casa, mas finalmente deu um gosto amargo para o treinador adversário. O técnico saiu do rubro-negro  e foi para o São Paulo. Este, um adversário que se tornou total algoz, não perdia para o time da colina há sete anos, mas em 2011 o tabu caiu e a equipe de Ricardo Gomes venceu duas assombrações: o tricolor paulista e Adilson Batista por 2 a 0 no Morumbi.
O Flamengo também conseguiu acabar com um tabu ao vencer um amargo adversário nos últimos anos. A vitória por 1 a 0 sobre Cruzeiro em Sete Lagoas impediu a oitava vitória  seguida dos mineiros contra o time de Ronaldinho Gaúcho.
No Botafogo, Caio Jr teve alegria onde só tinha tristeza e vice-versa. Quando comandou Palmeiras e Flamengo, venceu todos jogos que tinha feito contra o Figueirense, mas no comando do alvinegro carioca perdeu em Florianópolis por 2 a 0. Contra o Cruzeiro aconteceu o inverso, tinha perdido todos jogos contra a Raposa quando passou pelo rubro-negro e alviverde, mas no Botafogo conseguiu uma vitória suada por 1 a 0, belo gol de Loco Abreu num chute de fora da área
Não concordo com essa história de deixar de jogar por “motivos psicológicos”. Pelo salário que o Fred ganha, tem que jogar e dar o máximo em qualquer jogo. Também não vai estar na próxima partida contra o América-MG, acho que a diretoria tem que ser mais firme e cobrar do jogador, mesmo com os problemas fora de campo que enfrenta.
Futebol de Areia, que esporte sem graça, nem sabia que tinha eliminatórias sul-americanas. Brasil ganhando de todo mundo, nada incomum acontece.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Google residencial

Nada de internet, quero um Google doméstico. Aquele que acha tudo o que você não encontra em sua residência. Por exemplo, uma foto perdida por anos e anos, e que sua mulher chora por não ter mais. Chega de lágrimas, o Google Home vai buscar, é só falar a palavra “foto” além de quantos homens e mulheres estão na imagem e esta irá cair nas suas mãos. Porém, o produto não vai trazer apenas uma resposta, vão ser várias. E muitas fotos com  mulheres diferentes podem aparecer e a esposa não vai gostar muito.
Mas não quero aqui ficar falando mal do Google doméstico, quero sim usá-lo. Só falar chave de casa e dizer meu nome que aparece em minhas mãos esse objeto abridor de portas. Chega de balas perdidas, achem os donos dessas munições com esse novo meio de busca!   Nunca mais lamentações e nem irritações, Google doméstico é a salvação.
Nada é perfeito nessa vida, e não poderiam faltar queixas. Muitos procuram a felicidade, mas só vem No Result no Google. Outros pediram saúde, e vieram copos, de bebida, que muito ouvem saúde quando todos brindam, isso foi o máximo que a ferramenta conseguiu relacionar.
Não ligo para os defeitos, não abro mão de meu método de busca. Agora nada me escapa aqui, nem uma agulha. Haha, o que vão falar agora aqueles que diziam que eu era confuso e que perdia tudo, agora nem fiapo de cabelo passa! Ando eu orgulhoso, e dou uma forte topada, grito: merda!
O Google ouviu , e da janela vem uma erupção de tudo o que é nojento em minha direção, coco de passarinho, bosta de cachorro, mijo de gato, saio correndo mas toda porcaria vai enchendo o meu apartamento, formando uma enorme gosma que crescia, crescia e parecia rir, falando “Gostou da busca?”. A enorme lama destruía todo meu lar e não consegui mais fugir, logo o Google que tanto me orgulhava de ter se tornava meu maior inimigo.
Acordo de um pesadelo, suando muito, cama encharcada.  Falo água, mas nada aparece, ficou no vazio, não existe ainda um mecanismo de busca para objetos. Corro para o PC e lá está o Google, minha página inicial, quietinho, dentro da tela, graças a deus!

O ano dos pênaltis

Como teve decisão por pênaltis esse ano! Chega, quero jogos acabados no tempo normal. Até aceito uma prorrogaçãozinha, mas chega de pênalti. O campeonato carioca, por exemplo, realizou vários jogos “mata-mata” que foram terminados nos tiros de dentro da área. Bom para o Flamengo, que tem um ótimo goleiro para defender penais.
Talvez a disputa mais emocionante de cobranças foi a do Grenal que terminou  5 a 4 e deu o título gaúcho de 2011 para o colorado. Finalmente o goleiro Renan mostrou competência, sempre achei ele ruim,  pegou três pênaltis na decisão. Outras séries  foram patéticas, como a do Brasil e Paraguai em que quatro jogadores da seleção canarinho perderam e destes  apenas um acertou o gol em chute defendido por Villar.
Na final da Copa América, torço para um jogaço, com muitos gols e, por favor, decidido no máximo na prorrogação. Talvez esse palpite não de certo, se não der quero apenas Uruguai campeão. Vou é ver o Brasileirão, esse nunca tem decisão de penais.

domingo, 15 de maio de 2011

Fui um pé quase quente hoje

      Nesse domingo, minha alegria foi quase completa. No RS, feliz pelo Internacional campeão, após um grande jogo no Estádio Olímpico em que os colorados venceram o Grêmio por 3 a 2 e levaram a decisão para os pênaltis. Na disputa, tensão para os dois lados, e o desfecho foi para a morte súbita e aí Adilson perdeu e Zé Roberto, ex-Botafogo, cobrou o pênalti que deu o 40º título gaúcho para o time vermelho.
       Em São Paulo, torci pelo Santos que conquistou um título merecido, é com certeza o melhor time paulista e confirmou isso ao vencer  o Corinthians na Vila Belmiro por 2 a 1, gols de Arouca e Neymar, com Morais descontando para o “Timão”. Em Goiás, feliz pelo bi do Atlético-GO e em Pernambuco contente pelo fim da supremacia do Sport e o título do Santa Cruz, 25º de sua história
         A decepção aconteceu em Minas Gerais, e por isso eu virei um pé quase quente nesse domingo, podemos dizer que fui um pé morno. O Atlético-MG tinha a vantagem do empate contra o Cruzeiro, mas uma vitória simples dava o título para a Raposa. No segundo tempo, Magno Alves tentou driblar o goleiro Fábio numa chance clara de gol, não fez o tento, e no contra ataque Wallyson marcou o primeiro gol do time azul, que faria mais um aos 41 com Gilberto selando o caneco para a equipe de Cuca. Um pequeno conforto para a torcida cruzeirense após a eliminação na Libertadores, e uma decepção para os atleticanos, que perderam as últimas três decisões de estadual para o rival. Torci mesmo pelo Galo, fiquei p..... com o Magno Alves, mas agora não há nada a fazer.
          Nem falo do meu time, empato um amistoso com o América-MG, parece que jogou bem não. Previsões nada boas para esse Campeonato Brasileiro.

Ceará parece o Sport de 2008

O Ceará não está jogando um futebol das mil maravilhas, mas a equipe  tem raça e é eficiente, dois fatores essenciais para ter eliminado o Flamengo. Agora na semi  da Copa do Brasil vai enfrentar o Coritiba, que surpreendeu a todos ao golear por 6 a 0 o Palmeiras nas quartas. Não sei, mas algo me diz que o Coxa não vai ser o campeão, mas sim o Vozão  ou o Avaí. Torço pelos cearenses na semifinal contra os paranaenses. No outro confronto, Vasco e Avaí. Como disse antes, acho que os catarinenses levam a melhor, mas vou torcer pelos cruzmaltinos, porque são cariocas.
Voltando ao alvinegro do nordeste, acho que este lembra o Sport em 2008, quando o time de Pernambuco conquistou a Copa do Brasil numa das campanhas mais brilhantes da competição . O Leão eliminou Palmeiras, Internacional, Vasco e ganhou do Corinthians na final. O Ceará só eliminou o Flamengo quando se fala de times grandes, mas faço a comparação entre os dois times nordestinos pela raça em que ambos jogaram em 2008 e 2011, e por isso acho que  o time de Wagner Mancini vai ser campeão, mas não sou bom em previsões. Então vascaínos, não achem que porque eu escrevi, o time de vocês não vai para final, e estou torcendo para que vá, mas vai ter que jogar muita bola, porque  o Avaí não tá pra brincadeira

sábado, 14 de maio de 2011

Thor foi ver Thor......

E gostou, apesar de ser um filme manjado, ou seja, você já sabe o que vai acontecer, o mocinho vai vencer o vilão. Mas mesmo assim curti, ainda porque foi a primeira vez que assisti um filme em 3D. No começo, a atuação de Chris Hemsworth não me convenceu, mais depois o ator foi incorporando mais o seu próprio personagem, principalmente nos momentos em que Thor se deparava com simples mortais, e os diferentes costumes entre o deus do trovão e os plebeus eram acentuados.
Curti também os efeitos especiais, principalmente numa das primeiras cenas, em que o herói do martelo e seus amigos partem para Jotunheim, planeta dos gigantes de gelo. Anthony Hopkins está muito bem no papel de Odin, pai de Thor, e Natalie Portman está razoável, o papel não exigiu tanto quanto em “Cisne Negro”. Muitos vão dizer que eu não contei a história do filme, claro que não, vão ver o filme para descobrirem! E, queria dizer também que o gigante enviado por Loki para matar Thor é muito parecido com o enorme robô de "O dia que a terra parou”. Muitos mais filmes chegarão no cinema este ano, acabei de descobrir que Tin Tin vai vir ainda em 2011, no mês de novembro.

domingo, 8 de maio de 2011

Vida de letra

Quem não queria ser a letra A? É a primeira de todas, e está presente em muitas e muitas palavras do português. Na brincadeira da forca, quando temos que descobrir qual é a resposta, a letra que todos dizem primeiro é o A. Este, muito metido, esbanja arrogância para as outras letras, gritando alta que é a primeira, e também a vogal nº 1, diz que é A de amado, de astuto, alma, alimento e assunto.
Lá, bem longe, estava triste o pobre do Z, de zero. Última letra, retardatária, afogava suas mágoas com o Y, penúltimo do alfabeto. Seu companheiro, ao invés de consolar, disse bem friamente:
- Sou uma das maravilhosas incógnitas matemáticas. Instigo os que resolvem os problemas, quero que me descubram, que achem o meu valor, mesmo que seja negativo sou aquilo que não foi encontrado. E tu, é o que, hein? Apenas a última letra, disse Y com sotaque, é um estrangeiro incorporado ao alfabeto português.
-Eu sou a letra que representa os números inteiros, e também posso ser incógnita, retrucou Z.
-O que me importa os números inteiros? Você é menos importante, também como incógnita, vem depois de mim e do X.
- Tão falando de que ai? exclamou o X.
- 24, posição 24, lalala, exclamam pequenas letras minúsculas que passam pelo X.
- Saiam daqui, infernais pequenas criaturas, vão procura um capslock pra aumentar vocês.
X sofria, era a letra na posição 24, que inferno.
-E tu num ri não em Z, chamo logo a Xuxa e te processo, afinal, o que seria da Xuxa sem o X, disse a letra, muito metida.
 -O que fellow, você é só o X, não processa nada, afirmou o Y.
-Quem processa sou eu, diz o P.
P, este deveria acabar com qualquer tipo de conflito, é a inicial da Paz, do Perdão. Ao invés disso, veio a outra personalidade . Venho o porra, o puta que pariu, o processo, o peido, o palavrão.
Tudo volta a ficar sem palavras. Z então olha  a imensidão de letras a sua frente, até chegar ao A. Todas são numeradas, e o Z, antes de 1990, era o número 23, depois, com a chegada de K, W e Y no alfabeto português, a última letra passou a ser a número 26.
-Sou muito mais brasileiro e muito mais aportuguesado do que esses novos integrantes que chegaram e ficaram na minha frente. Estou no Ziraldo, no Zé, no Zumbi dos Palmares. E esses novatos, entraram no ônibus e já querem sentar na janela? K então interrompe:
- Pare de falar asshole, lá de longe ouvi suas besteiras, estou cansado, muito nome para escrever, vocês brasileiros escrevem muito ok, ok, pra tudo, e não gosto de esse O colado comiga, muito redonda pra me gosto, não quero mais escutar nada sobre mim, disse K com um sotaque forte .
- Estou aqui muito antes de você, tu é de fora, tenha mais respeito, exclamou o Z.
-Olha que sou a letra do kill hein.
-Aqui é o M, de matar, e não K.
- Fuck You Man, sinto falta de uma palavrão como fuck, era muito escrito nos States, disse K.
- Ouvi meu nome? disse M.
- Nada não.
- Ninguém mente para o M, afinal de contas, eu sou a inicial da mentira, logo, ninguém a entende melhor do que eu. O que vocês resmungaram sobre mim ai?
- Disse que aqui matar é com M, e não com K, como tinha dito esse infeliz.
-Pois é, pobre de mim, foi nascer como inicial de matar, morrer, morte. E aqui money é com D de dinheiro, aquele desgraçado do D, roubou minha palavra. Fiquei pobre, e tenho duas corcovas para sustentar!
-Ueh, mas M é de milhão também, de mil.
-Pois é, mas ai vai tudo pro P de pobre, pro C de Carente, pro F de fudido.
- Mas tu é do miserável também ueh.
-Miserável é xingamento, e não um adjetivo prum coitado!
W interfere na conversa, e fala diretamente para o Z:

-Olha rapaz, estou aqui a dizer que não devias ter inveja de mim só porque estou na frente, olha o que acontece fellow, esse louco de Wellington causou uma estrago em meu reputação. Todos estão a pensar que eu sou uma psicopata, mas não sou, sou apenas uma V duplicada, disse a letra com sotaque acentuado.
Z não respondeu, apenas olhou. De longe estava ele, o A, com uma pose de fodão. Pois é, nem o F podia ser foda como o A. O A nem olhava na cara dos outros, vagava pelo alfabeto, e depois voltava para o seu lugar, o primeiro da fila. Diziam que gostava de andar para chamar atenção, sim, a atenção, ou andar com ar de arrogante.
Z estava irritado pelo aumento das taxas de alfabetismo. Queria uma sociedade analfabeta, e assim, as letras não teriam importância, seriam iguais. Pensava num alfabeto igualitário, sem regalias, com igualdade, palavras para todos, sem discriminação. Viva ao analfabetismo!
É assustado pelo o S, que, muito do sacana, sacaneia:
-Para de pensar rapá, tu tem que mais é dormi, o zzzzzzzzzzzzz, uahahahha.
-Não enche!
- Não enche é? Que educadinho! Nem palavrão tem pra xingar, uahahaha.
- Tu também não tem!
-Claro que tenho, o que seria do vai se f...., caso não existisse o SE. Eu tenho suma importância, e tu, xinga com que? Zarolho? Uahhahaha.
- Zarpa daqui!
E sai rastejando a serpente S em busca de um sonho, ou serenata de sacanagem.
Z contempla as outras letras à frente, muitas badernas, novas palavras sendo formadas, vizinhos querendo posições dianteiras no alfabeto. U chora pelo trema que já não existe, amigo de tanta freqüência, que agora virou frequência. Outro lamento mais alto vem de longe, provavelmente dentre as primeiras dez primeiras posições, pensou Z.
Era sim, venho do H, que lamentava por ser uma letra muda, no português.
-Por que, meu alfabeto, por que sou tão mudo em terras tupiniquins? Lá nos States ou na terra da rainha tenho um som tão HIT, e aqui sou quieto como uma hesitação.

Lá de cima, fala alto o senhor alfabeto:
- Meu filho H,  te mandei para a versão portuguesa  com o intuito representar o silêncio, que às vezes pode ser a melhor resposta para qualquer outra palavra. O silêncio é um mal necessário meu filho, mas lembre que, tu és a letra do Homem, aquele que escreve e quem me criou.
- H não se conformou, continuou a se lamentar pela quietude. Z não quis comentar, mas dali viu que as letras tinham seus problemas, nenhuma podia ser perfeita. Ali perto do H, estava o J, coitado, início de Judas e de toda uma judiação.
- Pense bem H, talvez o alfabeto tenha razão, foram botar um som pra você e tu foi criar logo o Hitler, disse a última letra do alfabeto.
-Sai daqui, inferior das camadas de baixo, sou daqui de cima, tenha mais respeito.
- Inferior? Eu tenho som pelo menos.
H com uma face horrorosa, saiu de uma forma horrenda e foi se isolar como um herói sem honra. Z ganhava mais confiança, via que as letras tinham problemas, traumas, perseguições. Mas se você existe, então por algum motivo você esta lá. Nunca precisou de acentos ou de dígrafos para ser mais forte.  E daí que era o último? Isso não o fazia pior que ninguém.
Um Z bem grande de Zorro aparece riscando, e ele se lembra do seu herói mais famoso, que fazia com a espada a forma bem grande de Z pelos locais que passava.
Lá de cima voltava a voz da sabedoria, o senhor alfabeto:
- Te coloquei por último Z, mas tu já fizeste um herói como Zorro, que inspira pelo menos dias melhores para os outros, não sabe o bem que faz um herói para as crianças. Não são todas as letras que possuem essa marca. Todas possuem problemas, achas que o A é perfeito? A também criou a arrogância, criou o pecado tolo da avareza e o xingamento que eu gosto muito: anta!
A abaixa a cabeça e sai de fininho. Toda pose foi embora.
- O senhor alfabeto fez uma pausa, e disse mais descontraído:
 -Além do mais, mané, tu também é a letra de Zeus, o deus todo poderoso, para de reclamar ai meu filho.
Z ergue a cabeça e zarpa, vida de letra agora tem sentido.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Libertadores nada, agora são caçadores que estão acabando com os patos

Os “patos”, ou seja, times mais fáceis de vencer, são mais raros na Taça Libertadores da América. Juro que não falo isso pela terrível noite de quarta-feira para o futebol brasileiro, em que quatro times nacionais foram eliminados e agora só  o Santos representa o país do futebol nas quartas de final.
Há uns dois ou três anos que times oriundos de países com pouca tradição no futebol vem complicando a vida de brasileiros e argentinos. Recordo-me de um sufoco que o São Paulo passou para eliminar o Universitário do Peru no ano passado, pelas oitavas, foi nos pênaltis após dois empates em 0 a 0, e a imprensa toda dava como certa uma classificação fácil do tricolor paulista. Ou a própria LDU, hoje uma equipe respeitada e temida pelo futebol brasileiro, mesmo com toda a desculpa da altitude.
Eu também dava como certa a classificação do Cruzeiro nessa quarta, foi a eliminação que mais me surpreendeu. Perdeu pro Once Caldas da Colômbia, que já foi campeão sul-americano, mas cá pra nós, não é um grande time. Estava torcendo pela Raposa, por que gosto do Cuca, mas o cara é azarado mesmo em, e ainda agrediu o Rentería, talvez por ser difícil aceitar a desclassificação que parecia já garantida, e Deborah Secco na platéia assistindo tudo e lamentando a expulsão do marido Roger.
Penãrol não é pato, não acho que foi total surpresa eliminar o Inter, os times uruguaios sempre foram parada dura contra os brasileiros. O Fluminense foi apático e mereceu perder, para o Libertad. Já era esperada a eliminação do Grêmio pela derrota no jogo de ida.
A conclusão disso tudo é que a Libertadores, considerada uma competição difícil, tá mais complicada ainda, e não há mais espaço pra cadeira de acomodação, agora botem uma elétrica pros times se ligarem. A piada foi péssima, mas a idéia foi transmitida.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Morte, há muito tempo, é comemorada

Muitos estão criticando as celebrações estadunidenses pela “morte” do mais famoso inimigo do Tio Sam. Concordo com todos, acho errado saírem pelas ruas sorrindo e cantando pelo falecimento de um ser humano. No entanto, parece que não é de hoje que os Estados Unidos apreciam uma mortezinha.
É impressionante como o cinema dos “States” gosta de matar gente. Os de ação devem aniquilar uns 20, às vezes em uma cena uns 40 batem as botas. Não quero aqui bancar o politicamente correto, os filmes não são reais, mas creio que toda essa “mortalidade cinéfila” influencia no pensamento de uma população. E não apenas da sociedade estadunidense, mas de outros países, pela abrangência que os filmes do Tio Sam tem pelo mundo afora. Steven Seagal, por exemplo, deve ter perdido a conta de quantos figurantes já matou nas produções que atuou.
Botei morte entre aspas no 1º parágrafo porque ainda não acreditei na partida de Osama. Esse troço todo de DNA e foto não me convenceu. Já penso se o cara aparece vivinho da silva em alguma TV do Oriente Médio, o que vai ser do Barack? Este está decepcionando cada vez mais, mas queria ressaltar que, para aqueles que esperavam mudanças radicais no governo de Obama, é muito difícil se desvincular dos vícios de um governo anterior, no caso a terrível era Bush. O presidente dos EUA ganhou uma herança maldita e de peso de seu antecessor, tanto politicamente quanto economicamente. Bush instalou a política do medo e da tortura, e em quatro anos seria muito complicado Barack acabar com tudo que estava antes. Talvez em oito anos consiga.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E agora quer ser sapateiro

Paixão. Sempre tivemos alguma. Talvez uma paixão futebolística, ou nacionalista, regionalista, bairrista. Paixão talvez pela música, arte, ou pelo cachorro, jegue, cavalo, ovelha. Ou algo mais material, uma paixão pela aquela jóia daquela semana daquele mês daquele ano que foi maravilhoso.
Existem vários tipos de paixão, de dedicação para amar, mas com certeza a mais comum é a romântica. Aquela que inspira, que não te faz esquecer nem pelo maior fio de ouro que encontrar. Imaginar a quem você ama talvez seja um motivo para seguir em frente, mesmo que a pessoa amada nem conheça você ou nem tenha ouvido falar no seu nome.
Sinval era um rapaz tímido. Tímido demais, pouco falava, não tinha muitos amigos. Gostava era de trabalhar, era a distração que tinha na semana. Nos sábados e domingos o seu negócio era dos mais interessantes: televisão e computador,muito domingão do Faustão e Discovery Channel. Futebol não era sua praia, nenhum esporte para falar a verdade. A boêmia foi negada por Sinval, que preferia ficar perplexo com a tela da TV ao invés de consumir cervejas ou cantar bem alto num show de rock.
Sinval não sentia falta da noite e muito menos de um barzinho e de uma conversa. Gostava mais de ficar ali, assistindo mais um documentário sobre o golfinho que andava para trás e gostava de se relacionar com cavalos-marinhos. Que loucura Sinval! Não, para ele cada um com sua mania.
Nem todos têm o seu amor. Muito menos Sinval, que não tinha alguém para o acompanhar nas noites de Discovery e Zorra Total. Ou alguém que levasse pra fora de casa na noite de sábado, que lhe abraçasse, alguém para falar nos momentos necessários.
Na verdade, ninguém o acompanhava por fora, porque dentro da sua mente tinha alguma coisa que o distraia. Ela, sim, aquela que despertou o mais tímido hormônio do pobre Sinval. O nome? Larissa, nome um pouco inocente, uma menina que aparenta ser doce. E, é claro, bonita. Bonita não, bonitassa, linda, mais parecia uma deusa. Sinval foi logo se apaixonar por uma das mais belas garotas de seus bairro, cortejada por qualquer marmanjo que passasse. Como era linda aquela menina! O mesmo pensava Sinval.
                Durante as madrugadas, nosso protagonista varria todas as mídias sociais e não-sociais  atrás de fotos de sua amada. O olho vidrado na tela contemplava toda a forma de Larissa. Ver aquela  menina era a única coisa que deixava Sinval realmente feliz.
                Distraído? Sim e muito, Sinval era muito avoado. Vivia com a cabeça em outro lugar enquanto andava na rua. Quando mal percebia, já esbarrava em outra pessoa. Era o terror dos carregadores, sim, dos carregadores, seja o que for que levavam; papel, comida, livros, sempre esbarravam em Sinval e caía tudo o que é objeto no chão e tudo que é xingamento para o nosso protagonista.
                Uma nova manhã, e um novo descontentamento. Sinval estava puto da vida porque substituíram seu programa favorito no Discovery, sobre corrida de raposas, para transmitirem reality show de bichos-preguiça e luta de tartarugas, tartarugas mesmo, não ninjas. Sua irritação fez com que ele andasse mais distraído ainda pela rua e que mais uma vez fosse esbarrar. Caiu de bunda no chão e já foi pedindo desculpa, esperava mais um insulto. Logo, uma voz calma disse:
-“Tudo bem, não tem problema”
Sinval reconheceu rapidamente aquela voz, era dela, ela mesmo, sua amada. Olhou pro alto e viu aquela bela mulher sem nenhum defeito, que sorria, sorria. Larissa, essa sim, não xingava. Perplexo, Sinval quase não conseguia falar. Depois de muito tempo, disse pausadamente.
-Des,desculpe, não te olhei
O sorriso de Larissa fiou maior.
- Não tem problema, não foi nada, vou indo.
E Sinval olhou aquela menina tão bela, seguir pela rua. Como era especial aquele momento, conseguiu trocar palavras com Larissa.
Talvez o encontro tenha encorajado o rapaz, que depois de muito hesitar, resolveu  falar novamente com sua amada. E foi assim que tudo começou, conversa vai, papo vem, ambos foram se conhecendo cada vez melhor.
 Os encontro com Larissa passaram a ser mais freqüentes, e, faltava um passo para essa amizade virar namoro. Antes tímido, Sinval perdia toda a formalidade quando estava ao lado de Larissa, e com ela falava tudo o que vinha na cabeça. Os moradores do bairro se surpreendiam com os dois, nunca imaginariam que um rapaz tão quieto poderia conseguir o amor da menina mais bela das redondezas.
Larissa era tudo o que Sinval queria, a menina não tinha defeitos, além de ser extremamente bonita, era uma pessoa muito inteligente, culta, gente-fina. Era impossível achar alguma falha, só se estivesse muito bem escondida.
Depois de muito tempo na conversa, Sinval resolveu movimentar um pouco mais a relação, e convidou Larissa para uma boate. Ela aceita prontamente, sem hesitar, e eles marcam na danceteria mais próxima do bairro, “Crazydance” famosa pelas bebidas exóticas e música variada.  
Sinval estava receoso, com vergonha de soltar o esqueleto na pista de dança. Larissa não hesitou e seguiu a direção da música, dançando como uma profissional. Ela chamava a atenção de toda a boate, não só pela incrível beleza mas também pela perfeição de seu requebrado. Sinval, que não era tão bobo, não queria deixar aquela linda menina sozinha e correu para a pista afim de mostrar que também sabe dançar. Na verdade, não sabia, mandou qualquer coisa e Larissa fingiu gostar soltando uma risadinha.
Dançando juntos, os lábios foram se aproximando, mais e mais. O clima ia rolando aos olhares invejosos que o rodeavam. Sinval, antes o garoto tímido e desajeitado, conseguia beijar a boca da menina mais bela do pedaço. Os beijos se multiplicavam e na cabeça do casal já não se ouvia a música alta da boate, nem outra coisa do que pensar no encontro de ambos os lábios.
Naquela noite sim, Sinval tinha certeza que ia conseguir fazer amor com Larissa. A menina se antecipou a fala do rapaz, e disse com uma voz um pouco mais sacana:
-Para onde vamos depois daqui?
Surpreendido, Sinval, não sabia como responder, pois Larissa foi direto ao ponto. Então ele resolveu também arriscar
- Vamos para um motel, conheço um aqui bem perto
Esperava um tapa na cara, mas, novamente, uma surpresa, quando a bela moça respondeu:
-Só se for agora, safadinho...
Sinval, nervoso, segurou a mão de Larissa e seguiu em direção a saída da boate. Era a hora, vai levar para a cama aquela menina maravilhosa, de sorriso cativante, uma noite inesquecível para ele, e que ele quer que seja inesquecível para ela. O carro velho do pai era o veículo de transporte, mas esse fato passou despercebido pela harmonia entre os corpos sentados no banco da frente.
Larissa mais uma vez causava espanto. Antes, uma menina que parecia inocente, agora falava no ouvido de Sinval coisas muito pervertidas
“Pisa fundo garanhão”
E o rapaz já sabia onde ir, conhecia um motel perto, apesar de naquele mesmo dia considerar impossível estar vivendo esta situação, com uma linda menina que agora  falava safadezas.
Chegaram no motel apressados, e os hóspedes do local se espantavam com a beleza de Larissa, e ficavam com inveja de Sinval. O local não era muito luxuoso, mas também não estava caindo aos pedaços, era arrumadinho.
Passaram rápido pela recepção e chegaram ao quarto. Novamente beijos, agora longos, e que se repetiam até Larissa se jogar na cama. Sinval fica alucinado: uma garota com cara de deusa atirada na macia cama de um motel. Dia melhor em sua vida nunca veio. A moça começa a tirar a roupa, primeiro a camisa, em seguida o sutiã, depois veio a calça,, curiosamente, deixou por último o sapato. Chegou a hora, Sinval explodia de vontade de fazer amor com a mulher da sua vida. Larissa hesitava um pouco para tirar os sapatos, e o rapaz já estava ficando irritado, fazendo aquela cara de “vai logo”.Finalmente, a moça tira a proteção do pé e Sinval avança ferozmente em direção a sua presa. Vai, chega, perto, agora é o grande momento. Felicidade ao extremo, cresce mais e mais.
Derrepente, um cheiro espalha-se pelo recinto. Odor ruim, péssimo, chulé demoníaco exalado dos pés daquela moça antes perfeita. Odor devastador, veio como tapa na cara de Sinval, que não conseguia respirar e sofria com os olhos que lacrimejavam pelo tremendo mau estar causado pelo pé de Larissa. Pés que pareciam tão inocentes, mas que devem ter maltratado a vida de muitos pretendentes, principalmente em dias de muito suor. Pés assasinos, provavelmente sufocaram muitos moços hipnotizados pela beleza da menina. Desesperado,  o rapaz pega o travesseiro e tenta tapar o nariz, ato inútil, já que todo simples átomo do quarto estava dominado por um mofo destruidor.
Como? Era a pergunta que Sinval fazia. Como uma mulher daquela teria um defeito tão grande, pensou ele, quase desacordado. Larissa parecia envergonhada, queria se esconder, não sabia o que falar.
O que aconteceu com Sinval após aquela noite? Poucos sabem, dizem que tinha uma vontade de virar sapateiro, ou vender meias no centro da cidade, mas ninguém sabia o porquê, ele não dizia. Outros diziam que ele agora queria ser escritor e publicar um livro sobre os perigos de se ter uma mulher bonita. Mas uma coisa é certa, e todos sabem sobre ele: para fazer amor, só com mulher calçada.
               

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Bravura indômita e excelente

Recomendo muito o filme “Bravura Indômita”, dirigido pelos irmãos Coen e com Matt Damon e Jeff Bridges, em cartaz nos principais cinemas do circuito carioca. O filme conta a história de Mattie Ross (Hailee Steinfield), menina que deseja vingança após seu pai ser assassinado pelo empregado Tom Chaney (Josh Brolin). Mattie então vai atrás de um policial federal, conhecido como “Marshall”, para contratá-lo e assim achar e prender o criminoso. Ela quer o melhor, então procura Rooster Cugburn (Jeff Bridges), conhecido no faroeste pela boa mira e pela grande quantidade de bandidos que matou.  Rooster hesita, mas depois de muita insistência da menina aceita ir atrás de mais um criminoso. Matt Damon entra na trama no papel de Ranger Laboeuf, outro Marshall que está atrás de Chaney pelos muitos crimes que este já cometeu.
Bridges rouba a cena na produção, com uma ótima atuação de um personagem ao mesmo tempo perverso e cômico. Matt Damon e a novata Hailee Steinfield, de 14 anos, complementam a trama com boas performances, mas ofuscadas pelo brilhantismo de Jeff. Este já tinha trabalhado com os Coen no filme “O Grande Lebowski”, de 1998. Ali, Bridges teve uma boa atuação e contracenou com outro grande ator, John Goodman. Mas não foi uma participação tão boa quanto em “Bravura Indômita” ou “Coração Louco”, onde interpretou magistralmente um cantor country que tentava superar a bebida e reconquistar o sucesso.
Domingão tem Oscar, será que o “Discurso do Rei” ganha o melhor filme? Não sei, nem vi o filme, mas estão falando muito bem. Nem sempre o favorito leva, é só lembrar de Avatar que perdeu para o azarão “Guerra ao terror”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Surra da raposa

                  Não poderia deixar de falar do Cruzeiro, e da surra que deu no Estudiantes em Sete Lagoas. A vitória vinga bem pouquinho a derrota na final da Libertadores 2009, mas o que vale mais é a atuação do time mineiro, que dominou o jogo do começo ao fim. Talvez tenha sido o melhor jogo da Raposa desde aqueles 5 a 0 contra o Atlético-MG em 2008. Alguns podem falar da goleada de 2009 também por 5 a 0 e novamente contra o galo, mas a primeira foi mais brilhante, e por isso só essa eu incluo no hall de jogos memoráveis. Antes da partida, muitos criticaram o técnico Cuca por ter escalado o garoto Walyson e colocado Thiago Ribeiro no banco. Mas a surpresa veio com antes do primeiro minuto de jogo, quando o novato fez o gol que abriu a chacoalhada. Walyson fez também o quinto e foi o destaque do jogo junto com excelente e regular Montillo, que também fez dois gols. Roger teve boa atuação coroada com um tento. Talvez a Arena Jacaré e os ares de Sete Lagoas tragam sorte para o time celeste nessa Libertadores, coisa que o Mineirão não vinha fazendo.
No outro jogo de ontem de um brasileiro pela competição sul-americana, o Internacional deu bobeira no Equador e deixou o Emelec empatar no último minuto. O colorado desperdiçou muitas chances mas conseguiu abrir o placar aos 34 do segundo tempo, gol do argentino Bolatti. Fernando Gimenez aproveitou a péssima saída do goleiro Lauro e empatou.
Difícil fazer um prognóstico para a Libertadores, mas vejo Inter, Santos, Cruzeiro e Fluminense nivelados e o Grêmio correndo por fora. No entanto, em alguns momentos, quem corre por fora consegue a glória.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O sudeste vai ao nordeste

     Foram transmitidos na TV os dois principais jogos na rodada da Copa do Brasil, Treze-PB X São Paulo e  Murici-Al X Flamengo. Embate entre times do sudeste  contra times do nordeste. Jogos que arrastam multidões aos estádios da região mais pobre do Brasil, vão lá aqueles torcedores gritar pelos seus times, muitas vezes, sua grande alegria, ou quem sabe, sua única alegria.

     Dentro de campo, um confronto entre a zona mais rica e a mais pobre do Brasil. Os nordestinos, povo honesto e batalhador, gritam pelo seu time, e para a vitória, como forma de mostrar que  sua região também existe, e, por mais que outros zombem, faz parte sim do Brasil. Quando o time do nordeste vence, é festa pela cidade, pra alegria da baiana , do capoeirista ou do repentista que vai comer muita carne de sol com macaxeira.

    O São Paulo talvez seja o melhor exemplo de adversário. A equipe vem do principal centro econômico do Brasil, onde há muita riqueza espalhada por um enorme conglomerado urbano, infinitamente maior do que qualquer capital do nordeste. Vão então os jogadores são paulinos numa cruzada em direção a bem longe, numa terra bem mais pobre, onde o grito pelo time local é mais forte, exalta tudo o que o anfitrião nordestino sente por sua equipe e por sua região.

    Existem os traidores, aqueles que negaram suas raízes e torcem por times do sudeste. Muitos nordestinos, muitos mesmo, abandonaram os clubes regionais e optaram  pelo caminho do capitalismo futebolístico, escolheram as equipes das ricas marcas: Adidas, Nike ou de ricos patrocinadores. Na camisa do time anfitrião, provavelmente uma marca desconhecida, que quer muito uma câmera para  alcançar a desejada visibilidade. Dentro do estádio, mais um embate entre as torcidas, de um lado os regionalistas e de outro os traidores, torcendo pelo time visitante, gritando muito alto por uma equipe que vem de bem longe.

   Tanto Flamengo quanto São Paulo venceram seus jogos por 3 x 0 e não precisarão do jogo de volta na 1ª fase. Torci pelos times nordestinos, mas não deu, os jogadores de Treze e Murici não terão chance de mostrar mais uma vez seu futebol, e mostrar o patrocínio de suas camisas. Vida que segue, muita coisa ainda está para acontecer neste ano.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Explosão desenfreada


                 
Os leitores desse blog vão estranhar, mas me lembrei e vou escrever sobre  um jogo de quase três anos atrás, mas que marcou a memória de muitos. Não sou tricolor, mas veio na minha cabeça aquele Fluminense X São Paulo no Maracanã pelas quartas-de-final da Taça Libertadores 2008. Com um gol de Washington de cabeça aos 48 do segundo tempo, o time das Laranjeiras venceu a partida por 3 a 1 e reverteu a vantagem do adversário paulista, que havia vencido o jogo de ida por 1 a 0 no Morumbi, e se classificou para as semifinais da competição sul americana.
Quis escrever sobre esse jogo principalmente por causa da reação da torcida do Fluminense. Muito provavelmente, ecoava dentro das mentes cariocas uma raiva contra o São Paulo, o time que ganhava tudo, na época ainda era pentacampeão brasileiro mas já tri da libertadores e tinha conquistado um Mundial de Clubes da FIFA. A raiva se misturava com a vontade de vencer o bicho-papão do futebol brasileiro, que naquele mesmo ano de 2008 conquistaria seu sexto título brasileiro.
O São Paulo já não despertava tanto medo para o tricolor das Laranjeiras, não era mais aquele carrasco que durante muitos anos  assombrou o time de Nelson Rodrigues, tanto que em 2004 o Fluminense venceu o tricolor paulista por 1 a 0 pelo returno do Brasileiro, e quebrou um tabu de 17 anos sem vencer a equipe do Morumbi  no campeonato nacional. Ali, acabava uma era de freguesia em relação ao São Paulo, tanto que em 2005 e 2007 o tricolor carioca venceu o paulista, 2 a 1 no Maracanã e 1 a 0 em SP, respectivamente, sendo que a vitória fora de casa quebrou um outro tabu, desde 1984 não vencia o São Paulo jogando  no Morumbi.
Voltando ao triunfo de 2008, acho que a torcida do Fluminense gritou alto por vencer e destronar aquele que antes ganhava tudo. Após o primeiro e o segundo gol, comemorações eufóricas, regadas a muitos “porras” e “caralhos” gritados por jovens e velhos das arquibancadas. Após o terceiro gol então, nem se fala, aí sim, espalham-se vários “porras” e “caralhos” pelo Maracanã, além de outros xingamentos e principalmente, “toma no cú São Paulo, acabou essa porra”. Na volta, dentro do trem, do ônibus, ou do carro, mais “porras”, “caralhos” e muitos “toma no cú São Paulo”, palavrões proferidos entre uma música e outra cantada pela torcida, que varreu a madrugada com mais xingamentos, mas é claro, também cantou palavras de amor ao seu time.
Agora todos esses “toma no cú”, “porras” e “caralhos” tem um novo alvo, o Corinthians. O Fluminense não vence o “Timão” desde 2005, e o tabu inclui uma eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil, em 2009. Com certeza, se o tricolor das Laranjeiras vencer o jogo no RJ, acontecerá mais uma vez uma sucessão de “xingamentos”, entre eles o “toma no cú Corinthians”, misturados a juras de amor. Tudo isso no caminho de volta, não mais do Maracanã, mas agora do Engenhão,  principal palco do futebol carioca  até 2014.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sutilezas antes da pancadaria

                              Há muito tempo que queria escrever sobre como alguém trata seu adversário numa discussão ou num prenúncio de uma agressão física. Começa aquele desentendimento, e quando a conversa esquenta, alguém solta:
-Meu irmão, não f...
 Estranho usarem o tratamento “Meu irmão”, no meio de uma discussão acalorada. “Meu irmão” é usado freqüentemente na igreja, quando o padre chama os fiéis, ou para se referir a um compadre ou, seu próprio irmão, filho de seu pai e mãe!
Outro tratamento comum nessas conversas tensas é o substantivo “amigo”. Normalmente amigo é uma pessoa que você goste, de quem você espera cordialidade. No entanto, essa palavra é utilizada numa “pré-briga”. Muitos devem ter reparado em frase como: “Amigo, num quero sabe, ou tu me paga ou o bicho vai pega”, ou “Amigo, já to perdendo a paciência”. Soa no mínimo estranho essa palavra num meio de xingamentos e trocas de ofensa.
Até palavras estrangeiras aparecem num bate-boca. A palavra“brother” é usada constantemente. Não só para uma gentileza, mas também antes de uma ofensa. Quem nunca ouviu um “vai se f... brother”, ou “ahh brother, vai toma no c...”.
Na linguagem paulistana, o “truta” é referência para aquela ou aquele que é parceiro, amigo. Porém, em diversas discussões que já vi oriundas da terra da garoa, a palavra truta era incorporada, mais presente na frase “Qual foi truta?”. “Mano” e “sangue bom” também são sutilezas encontradas no auge de um bate-boca.
É claro, ninguém liga para isso, e nem deve. Agora que já está sim, que fique. Mas é estranho e notório ouvir palavras normalmente usadas com cordialidade e que vão parar num bate boca mais próximo.
Imagine uma discussão meio suavizada, clássica, tipo essa.

-Se vossa senhoria despertar-me irritação novamente, me verei obrigado a lhe desferir uma bofetada na face.
- Se vossa senhoria fazer o que disse, serei obrigado a retrucar a enfiar minha mão em sua cara e um chute em seu traseiro.
-Então, que vossa senhoria vai beber nos líquidos de seus anais!
- Vossa senhoria que vá em direção a aquela que roda a bolsa e que deu a luz!

Abre o olho Vasco

É melhor que o Vasco tome cuidado, em dois jogos, duas derrotas no carioca. Quem não estréia bem no estadual costuma ter problemas durante o brasileiro. Em 2005 o Flamengo começou o ano tomando de 3 a 0 do Olaria no Maracanã, e depois passou sufoco no Campeonato Brasileiro, por pouco não foi rebaixado, escapou graças ao Papai Joel. Três anos depois o próprio Vasco estreou na Taça Guanabara perdendo para o Madureira em São Januário, 2 a 1, e no mesmo ano foi rebaixado para a Série B do nacional. Em 2009,o Fluminense perdeu a primeira partida do ano para a Cabofriense na Região dos Lagos, 3 a 1. Na mesma temporada, foi um sufoco para escapar da queda na Série A, quase um milagre que apelidou a equipe tricolor de time de guerreiros. É melhor abrir o olho cruzmaltinos, pois os times pequenos do Rio de Janeiro são muito ruins, e perder dois jogos seguidos para eles é muito preocupante, sinônimo de briga contra o rebaixamento.
Feliz com o Paris Saint Germain, meu time na França e que está na segunda posição do campeonato nacional. Será que vem título para esse time azul e vermelho? Só foi campeão francês duas vezes, em 1985-1986 e 1993-1994.

Brisa é oásis

             No verão carioca, brisa é que nem Oásis. Disseram que esse ano essa temível estação seria mais amena. Amena é o c..., isso aqui tá mais pra introdução de filme de fim de mundo.  Embaixo de um sol escaldante, só resta aos cariocas encontrar um ar condicionado, como o gato que corre atrás do rato. Quem não tem água, vai procurar um Oásis, e nesse caso, uma brisa. Suave refresco natural, aquele ventinho curto é uma alento gigantesco, como água doce no meio do mar, ou como um aroma agradável em meio ao terrível fedor da ilha do fundão.
                Durante o verão, os shoppings ficam lotados, todos querem curtir um pouco aquele livre ar condicionado e comemorar por essa invenção existir. Vendedores nas lojas ficam apreensivos, ninguém entra na loja. É claro, só foram para o shopping por causa do ar condicionado, tadinha da moça da loja.
Pobre dos seguranças, andando de terno preto no meio desse inferno. Cachê devia dobrar por causa disso. Lembro-me de uma cena peculiar, quando passava perto do relógio da central e um rapaz de terno preto, provavelmente segurança, estava plantado embaixo de um sol furioso e destruidor. Uma senhora observou a cena e foi solidária com o rapaz, trazendo-lhe uma garrafa de água.

Em tempos de escassez de ventos e quando não falta sol, quem tem brisa é feliz não precisa mais de nada.  É como alguém com um olho numa terra de cegos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ônibus voador

Saudações aos leitores. Volto depois de um tempo ausente com um poema relacionado a um desejo para o transporte público. Abraços para todos.


                                                           
                                                             Ônibus voador

                                                            Se meu ônibus voasse
                                                            Não há quem o assaltasse
                                                            Nem que o queimasse
                                                            Ou engarrafasse
                                              
                                                            Volta e sorri a paciência
                                                            Que se perdeu na estrada
                                                            Toda engarrafada
                                                            Carregada de pneus e de fogo

                                                            Os bandidos armados, atiram para os lados
                                                            E meu ônibus diz, já saí dessa cumpade
                                                            Chega de chão, de jaburu, carroça e caminhão
                                                            Agora só paquero avião, aero motor,
                                                            gaivota e disco voador

                                                             Não quero saber de labareda, nem de desespero
                                                             E nem quero xingar outro sinal vermelho
                                                             Vou pra baixo, pra cima
                                                             Não me encontra mais na esquina
                                                             Quero espaço, estrela, lua, fazer contato
                                                             Chega de buzina, barulho e asfalto

                                                              Acordo no banco lá de trás
                                                              Viação cheia, os carros ao lado parados
                                                              Transporte enjaulado no trânsito
                                                               Suor é um amigo íntimo e indesejável
                                                              E o calor que nunca foi amável,
                                                              É mais que insuportável, é imcomparável
                                                              Pelo o que sofre essa gente
                                                                                                                          
                                                              Se tu voasse ônibus, teria alguém que chorasse
                                                              Nem por amor, tristeza, agonia ou dor
                                                              Mas sim por felicidade, alegria
                                                              De voar, andar no céu
                                                              Seja pra onde for