domingo, 29 de julho de 2012

Sorte mudou de lado


     O Botafogo nunca teve muita sorte contra o Figueirense. A equipe de Santa Catarina sempre foi um time chato contra os alvinegros, tanto que leva boa vantagem nos confrontos no Brasileiro, 8 vitórias contra 3 dos cariocas. Até o jogo de ontem, o Fogão jamais havia vencido o Figueira  no Rio de Janeiro em jogos do campeonato nacional.
     Na partida deste sábado, o nível foi baixo. O Botafogo no 1º tempo sofria dos mesmos problemas de antes, erros de passes constantes, meio campo lento e o Figueirense tentava se impor mas esbarrava nas próprias limitações de seus jogadores.
     O 2º tempo melhorou um pouco para o alvinegro carioca, a equipe se movimentava mais no ataque, porém não conseguia criar chances. A lentidão do atacante Elkeson dificulta a criação de jogadas e a fluidez do jogo fica debilitada. Destaco a boa atuação do zagueiro Brinner, que entrou bem no lugar de Antonio Carlos e foi importante em muitos desarmes e antecipações.
Aos 14 Andrezinho recebe perto da área, chuta fraco e o goleiro Ricardo falhou feio e a bola foi na rede. O gol tranquilizou o Botafogo que passou a dominar as ações, mas não conseguiu criar muitas outras chances. Nos últimos 10 minutos, o Figueirense  pressionou, e o atacante Aloisio perdeu chance incrível cara a cara com Jefferson, que fez grande defesa e depois Brinner chutou para fora.
     O que mais destaco desta partida é a sorte, que foi para o lado do Botafogo. Como tinha dito, os cariocas não tem bom retrospecto contra o Figueira. Quem não lembra na semifinal da Copa do Brasil de 2007, quando o Fogão foi eliminado em pleno Maracanã para o alvinegro catarinense, com uma falha bisonha do goleiro Júlio Cesar, além de dois gols do Fogão mal-anulados. Ontem, tudo deu certo para o Botafogo, já que o goleiro que falhou foi o do Figueirense, além da chance claríssima de gol que o Aloísio perdeu.
     A vitória deu novo ânimo para os cariocas, mas o time tem suas limitações, há necessidade da contratação de um zagueiro porém a janela de contratações no exterior já fechou . Até os jogos deste domingo, o Botafogo ocupa a 6ª colocação com vinte pontos e os catarinenses amargam a lanterna com apenas oito.




segunda-feira, 30 de abril de 2012

No bar


Filmagem. Sim, filmagem, curta, produção, ralação. Praça-seca. Longe. Perto? Só de Jacarepaguá. Chego às 16h, saio às quatro da manhã. É câmera, refletor, atores, tripé, mais o que, muito mais, correria. Luz acaba, e agora meu deus? Adiar? Não, adiar não. Torcer, sim, vai voltar. E voltou. Agora tudo vai dar certo. Prêmio. Reconhecimento. Sim, quem sabe. Todo mundo quer. Depois de tanto trabalho, todo mundo quer ganhar.
Luz. Câmara. Ação. Pendenga. Produção! Vela. Monta. Arma. Faz. Corre. Ajuda. Liga. Leva. Sim. Levo. Ajudo. Prazer. Felicidade. Trabalho sim. Felicidade.  Finalizar. Término. Última. Cena. Agora termina. Corro. Resolvo. Atrapalho. Animo. Incentivo. Converso. Vejo. Observo. Câmera. Ligada. Rodando. Silêncio. Não falo. Escuto. Admiro. Contemplo. Torço. Será que vai dar certo? Vai!
Ueh. Mas é domingo. Futebol! Sim, futebol! Jogo. Rodada. Campeonato. Brasileirão. Botafogo. Joga. Sim. Contra. Vasco. Engenhão. Mas. Só. 18h. 16h também tem. Ueh. Espero. Ainda não começa. O jogo? Não. Rodagem. Futebol. Sim. Começou. Ator. Rádio. Radinho? Não. Celular. E fone. Placar. Quanto tá? Tá assim. Mas não me interessa. Quero só o das 18h. Fogo. Porra!
E começa. Filmagem? Sim. Já rolava. Falo do jogo. Jogo. 18h. Não. Não vou ver. Sem lugar pra ver. To na filmagem. Nada mais.  Ouço. Gritos. O que será. Sim. Gol. Fogo. 1 a 0. Mas. Nada de TV. Volta. Filmagem. Rodagem. Concentra. Mira. Olha. Ouve. Ouve o que precisam. Sim. Eu ouço. Mas ouço de longe. Fogo. 2 a 0. 2 a 0. Ali. Mais perto. Vejo. É o bar. Sim. Bar. Jogo. TV. Saio. De fininho. Ninguém percebe. E ali. Entro. Seis. Sete. Assistem. Jogo. TV. Ueh. 3 a 0. Fogoo. Segundo tempo. Gritaria. Reclamação. Senhor. Sentando. Camisa. Vasco. Reclama. Xinga. Berra. Mas. Tem.Fogo. Camisa. 4 vascaínos. 4 botafoguenses. Cerveja. Discussão alta. Sem briga. Só discussão. Assim. Deve ser. Tv. Longe. Não dá pra ver bem. Mas estou lá. Aqui. Vejo. Jogo. 3 a 0. E me chamam. Volto. Me chamam. Na cena. Dever. Devo. Tenho. Sou. Produtor. Volto. Não queria. Volto. E cena. Outra. Mais uma. E. Cena. E. É. Fogo. No céu? Não. Fogo. No campo. 4 a 0. Sim. Feliz. Volto. Bar. Gritaria. Raiva. Alegria. Só. Botafogo.Vasco. Só. Não bebo nada. Só vejo. 4 a 0. Fogo. Fogo. Fogo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Há doze anos......


Foi ali, em 2000, a última vez em que o São Paulo conseguiu vencer Corinthians e Santos em mata-matas. Nesse ano, o tricolor paulista foi o campeão estadual e eliminou o timão na semi ao vencer os dois jogos, 2 a 1 e 2 a 0. Na final, duelo contra o alvinegro praiano. O dono do Morumbi já tinha vantagem do empate, e mesmo assim venceu o primeiro jogo, 1 a 0 e ganhou o troféu ao empatar o  segundo por 2 a 2.
Depois, só amargura contra os dois rivais. O Corinthians eliminou o São Paulo na semifinal da Copa do Brasil 2002,  no mesmo ano saiu vencedor na final do Torneio Rio-São Paulo. Em 2003 a equipe do Parque São Jorge  venceu o tricolor na decisão do Paulistão e seis anos depois na mesma competição os eliminou na semifinal.
Contra o Santos, o revés mais duro foi no Brasileirão 2002. Na fase de classificação o São Paulo terminou em 1º e o alvinegro praiano em 8º. Enfrentaram-se nas quartas, a equipe de Rogério Ceni tinha a vantagem do empate e de jogar o 2º jogo em casa. Então o time de Robinho e Diego surpreendeu a todos e eliminou o favorito tricolor ao vencer as duas partidas, 3 a 1 na Vila e 2 a 1 no Morumbi. Muitos são-paulinos usaram o argumento de que sua equipe foi a melhor do campeonato por ter sido a primeira na fase classificatória e assim concluíram que o mata-mata era um modelo injusto. O apelo foi atendido já que no ano seguinte tivemos o primeiro Campeonato Brasileiro de pontos corridos. O alvinegro praiano levou a melhor contra o São Paulo nas semifinais do Paulistão 2010 e 2011 e é justamente essa fase de playoff que os rivais se enfrentam nesse domingo, em um jogo único no Morumbi.
Vejo nesse jogo a chance da equipe do técnico Leão recuperar o prestígio de quando foi hexacampeão brasileiro e vencedor do mundial de clubes de 2005, também o último ano em que conseguiu vencer o paulistão. Mas ai questionam, é apenas um estadual. Sim, mas é um título, um troféu, algo que o São Paulo não consegue desde 2008, tempo demais para um clube vencedor. Creio que se vencer no domingo, será o campeão estadual de 2012, mesmo com as boas campanhas de Ponte Preta e Guarani.
Ontem, pela Champions, torci pelo Bayer, e deu certo, ninguém esperava por essa final sem espanhóis, quem arriscou se deu bem nos sites de aposta. Na decisão em Munique, não tenho preferência por nenhum time, quero apenas um bom jogo com muitos gols.

sábado, 21 de abril de 2012

Fúria da fúria



Alberto, adolescente, 16 anos, mais conhecido como Beto. Menino normal, gosta de jogar bola, sair com os amigos. Estudar não é muito a dele, não tira boas notas, escola é só para zoar, não mais que isso.
Um vício? Alguns, um ano atrás era jogar videogame, como outro menino qualquer. Mas a fixação pela tela e pelo controle passou agora para as comidas. Alimentar-se era um grande prazer, mais especificamente, besteiras e guloseimas. Todo dia era bala, salgado, chocolate. E não podia faltar bebida, que fosse doce. Refrigerante, mate, sucos não naturais, qualquer coisa que tivesse muito açúcar tava bom. Pizza e hambúrguer? Ótimo, melhor ainda com mate, ou, de preferência coca com gelo. Não tinha nada melhor para Beto do que “Coke” com “ice cubes”. Quando era para comer besteira, bebe besteira também. Hambúrguer com água? Jamais! Isso é loucura, onde já se viu? Aliás, Alberto não gostava de H20.
Produtos light? Nunca! Porque vão tirar açúcar de algo. Detestava produtos diet, light, o que fosse. Coca era muito bom, mas tem que ser normal, nade de refrigerante anormal, deficiente, opa, quer dizer, light, não doce. Gostava de tomar um banho de açúcar, como a mãe de Beto se referia a essas bebidas gasosas.
Quando você pensa no seu dia preferido, o que vem na cabeça? Sexta-feira talvez, dia da boêmia, ou sábado, também boêmio e bom pra descansar pela tarde. Descansar? Que nada, o Beto quer é comer, então terça-feira era seus dia favorito, dois por um na Domino´s, pizza com refrigerante, quer coisa melhor que isso?!
E então o garoto segue com sua vida desnaturada, de besteiras  comidas e provas de colégio mal-resolvidas. Inesperadamente a semana estava sendo um pouco diferente, a mãe não tinha feito compras, então a cozinha estava escassa. Eram dias tensos, exames estavam para vir, as notas não eram boas e Beto tinha que se esforçar mais do que nunca, precisa ir bem, muito bem para não reprovar no fim do ano. Para escapar um pouco dessas tensões, recorria ao seu grande vício,mas agora não havia escape, já que a geladeira e dispensa estavam vazias.
Após o período de provas, acabaram as tensões.
“-Vou comemorar no Mc Donald´s”, pensou
Inesperadamente, um de seus amigos veio e lhe disse:
-“ Ai veio, to reunindo um pessoal para comer lá em casa, bora?”
Beto pensou, e concluiu que seria ridículo deixar de estar com os amigos só para comer hambúrguer, no dia seguinte ele ia no MC Donald´s.
Chegando lá, todos se reuniram na mesa e veio a comida. Ansioso para ver o que teria no almoço, Alberto imaginou um strogonoff ou bife, qualquer coisa carnívora, a fome já batia forte. Então entrava na sala Sônia, empregada da casa com uma travessa e disse:
- “ Torta de jiló pros meninos!”
Beto sentiu um certo desconforto, não era isso que ele esperava, fez um sorriso falso de alegria. Veio rapidamente um arrependimento de não ter ido ao Mac Donald´s.
- “ Mas peraí, somos cinco, acho que ela vai trazer mais alguma coisa, imaginou”
Sônia saiu da sala e Alberto esperava que ela voltasse com mais um prato, que fosse carne, pelo amor de deus. E então volta a empregada, com mais uma travessa, e diz:
- “Mais uma tortinha de jiló, sei que todos os meninos vão gostar”
Felipe, um amigo, disse:
“ Obaa, adoro torta de jiló”
Agora Beto sentia raiva, de Felipe e da empregada. A voz alegre de Sônia contrastava com a tristeza do garoto que ao invés de comer seu amado hambúrguer com refrigerante teria que comer jiló, puts!, pensou. E para beber, o que seria? Algo doce pelo menos. Por educação ninguém falou de bebida, não seria legal dizer “po, vai ter bebida não?”. Começaram o almoço e Alberto permanecia em silêncio e controlava sua raiva. Eis que então vem Sônia, com uma jarra...... de suco de maçã light.
“Puts, maçã light, que merda! Como que bebem isso no almoço?  Almoço de merda..”, pensou Alberto
- Tem coisa melhor para beber que um suquinho, ne?”, disse Sônia. Em seguida dá uma catucada em Alberto que sorri disfarçadamente
“Né não amor?” diz a empregada para Beto
- “Claro, claro”, diz ele contido, a vontade era de xingar. “Filha da p...”, pensou
E, no dia seguinte, chega no Mac Donald´s, e o seu cartão não passa, foi recusado, não conseguiu pagar e então não satisfez sua vontade....
Passa a semana e chega sábado, e a casa continua escassa de comida. Talvez o “weekend” seja a salvação, pensa Beto. Quem sabe uma saída com os pais para uma churrascaria, fica a pergunta. O garoto espera alguma movimentação, será que rola algo, movido pela barriga, sempre. Eis então que entra o pai no seu quarto e vem a esperança:
- Vamo almoça na casa da tia-avó hoje?
- “Vamo, respondeu prontamente Beto”. Não tinha muita paciência com os parentes, mas quem sabe a saída não salvasse seu estômago da seca! Surge uma esperança no ar, pensa o menino, conversa sofrível mas alimentos perecíveis, yuhuu.
Chega na casa da tia-avó, o mesmo de sempre, os mesmos parentes, as mesmas conversas e falas: “como cresceu esse menino”, “como vai na escola?”,” ta estudioso?”, “que bonitinho, dizia a amiga da tia-avó”, que tédio, pensava Beto, cadê a comida porra?
Um pouco longe, no braço do sofá, viu um pote. Foi meio de fininho verificar o que era. Amendoim! Esse eu gosto, pensou, e logo meteu a mão para pegar vários e ficar um pouco mais feliz. O almoço demorava para sair, isso já irritava Beto, que tinha que esconder sua insatisfação ouvindo a conversa chata dos parentes.
Então veio a esperada refeição, “minha salvação”, pensou Beto. Finalmente, e, pra felicidade de todos, era um almoço variado, com muitas carnes, frangos, batatas, molhos, comida de verdade para o garoto que sofreu tanto na semana. Todos reunidos, e vamos ao que interessa. Beto, esperou que uns quatro ou cinco se servissem para então colocar alimento no parto, não queria passar uma impressão de selvagem que sai rapidamente na frente de todo mundo. Pegou de tudo um pouco, e alegre, coloca sua refeição na mesa.
Na primeira garfada um susto, um gosto estranho, o que será? A comida parecia amarga, parecia, parecia.... sem sal! “Puta que pariu, ta sem sal essa porra”, pensou Beto. Que m..., como que tá sem sal?
Após 5 minutos, falou assim sua tia-avó Eleonora:
-Gente, vocês vão me desculpar, ontem fomos no médico do Saulo, e disseram que ele está com pressão alta, então tivemos que dar uma manerada,mas, acho que assim, todos ficamos saudáveis, né?
Uma raiva forte atingiu o peito de Beto, seria isso um castigo deus? A voz calma da senhora, que não tinha consideração nenhuma pelo outros, o deixou irado. “O que fiz para merecer isso?, pensou”
- Um brinde a saúde então, disse Eleonora, e todos brindaram com sorrisos falsos, ninguém gosta de comida sem sal.
Alberto brindou com cara feia, e sua mãe do seu lado, fez uma cara de quem diz, para com malcriação! Irritado, juntava os dentes para não falar:
- Velha filha da p...... “Além disso, cadê as bebidas porra?”
Venho então da cozinha a empregada, com duas garrafas de coca, mas o rotúlo, o rótulo, branco, puts, coca anormal! Era a desgraça em forma de garrafa para Alberto, o que fez ele para merecer isso?! Agora vai ter que engolir esse líquido com gosto de adoçante para tirar da boca o dissabor de uma comida sem sal! A fúria da fúria veio de encontro ao garoto, que se conteve e ficou quieto por todo o almoço, era a única forma de protesto.
Cara fechada na volta para casa, sem falar com mais ninguém, esse foi o resto do dia para Beto. Foi dormir cedo, talvez um novo dia traga novas alegrias, bom, se trouxer algum sal já fica melhor. Adormece e acorda na mesma mesa da tia-avó, ué, “o que faço aqui, estou comendo essa comida e todos familiares me olham, tá sem sal de novo isso aqui, e grito, que merda”!
“Todos me olham e riem, uahaha, vai ter que comer, uahahhaa. Uma voz grave não sei de onde diz”:
- Mac donald´s deixa brocha, uahahahhaa
Era a professora de ciências, do primário, dizendo que a comida preferida  de Beto causava impotência. Estava ela ali junto com todos os outros, adorava a comida sem sal, degustava com prazer toda a alimentação e ainda dizia:
-“Faz bem pra saúde, tudo sem sal faz bem pra saúde”
Alberto está no desespero, mais comida sem sal, e minha professora de ciências dizendo tudo o que não quero, como, não, puts, o que faço!
Acorda suado, 25 anos se passaram, agora ele tem 41, está sua mulher ao lado, ela continua dormindo, ele sai do quarto, vai em direção a cozinha, abre a geladeira. E, ali está, ela, a garrafa de Coca-cola, normalzinha, bonitinha, ele a pega, abraça, e vê o sal, querido sal, pega, espalha pela boca, e outra vez pega a garrafa de coca, a beija. E dança pela casa, cheio de sal na mão e a embalagem de coca no braço.
A esposa então aparece, contempla a cena e diz:

-“ Acho que você gosta tanto dela que a prefere a mim né, porque por mim você não tem tesão. Ou será que foi outra coisa?”

sábado, 14 de abril de 2012

Grude na loja


Fico irritado com o “grude” que os vendedores fazem com os clientes.  Dentro de um shopping, em qualquer loja que você entre, imediatamente vem um rapaz ou uma moça tentar lhe oferecer produtos com preços especiais. É claro,  diz boa tarde primeiro, mas depois é só produto e preço, produto e preço. Acho que esses comerciantes deviam deixar o cliente em paz! Parem de segui-lo por todos os cantos da loja, e permitam que ele veja e procure o que o interessa na loja, e se gostar de algo, chame o atendente. Porém, isso não acontece, e o vendedor parece que “cola” em você,  te segue e tenta de todas as maneiras que você compre algo. É uma situação desconfortante. Aconteceu mais uma vez na última quarta-feira, meu aniversário. Eu e meu pai fomos na Mr Cat, do Botafogo Praia Shopping. O rapaz não nos deixou circular livremente, oferecia a todo o momento novos tipos de tênis e sempre dizia, “esse ficou bom em você”, “esse ficou melhor ainda”. No final, compramos um bom produto na loja, e o vendedor conseguiu seu objetivo. Não posso culpá-lo, foi instruído para trabalhar assim, mas creio que essa mentalidade devia mudar, para que o cliente se sinta mais confortável.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Bobeira que custa

Na terça-feira pela tarde, não poderia de jeito nenhum perder Barcelona X Milan, o grande jogo das quartas-de-final da Champions League. Bom, pra falar a verdade, todos os jogos que envolvam o time da Catalunha vão ser considerados como a grande partida a ser vista. No primeiro tempo, a equipe de Messi tinha mais a posse de bola (como sempre), mas o adversário conseguia trocar passes e levar algum perigo. Então o francês Mexés do Milan resolveu ficar mais tempo do que deveria com a redonda. Falha grave, ainda porque estava na frente do melhor jogador do mundo. O argentino roubou a pelota do defensor e correu , tentou tocar para Fábregas, Antonini recupera , mas em outra bobeira perde para Messi e comete pênalti no atacante (eu achei que foi, e assim discordei do Arnaldo). Resultado, “La Pulga” cobrou o tiro e fez, 1 a 0.
O Milan conseguiu empatar em uma bela troca de passes. Robinho tocou para Ibrahimovic, que deu bela assistência à Nocerino que mandou pras redes, 1 a 1, placar que colocava os rubro-negros na final. No entanto, Nesta fez falta desnecessária em Busquets dentro da área, e o árbitro assinalou pênalti corretamente. Messi bateu mais uma vez e fez, 2 a 1, placar do 1º tempo. Iniesta marcou o terceiro e confirmou a vitória do Barcelona, que chega à sua 5ª  semifinal seguida na Champions.
Eu torci pela equipe italiana, esse reinado do Barcelona tem que acabar, mas  minhas preces não foram ouvidas. O que me mais me irrita é que o time do Robinho teve perto de conseguir a tão difícil classificação. E a perdeu por bobeiras, lances completamente evitáveis. Mexés devia pensar no grau de dificuldade da partida, quando ficou tempo demais com a bola na frente de Messi. E Nesta, jogador experiente, não devia ter sido tão imprudente quando fez a falta em Busquets, o jogo estava 1 a 1, conseguir empatar com a equipe catalã fora de casa já é um feito quase impossível nos dias de hoje.
O Vasco quase que se complica também por bobeira, vencia a partida contra o Alianza Lima com tranquilidade, 2 a 0, dois tentos do bom jogador Fellipe Bastos. Então, Renato Silva, resolveu incorporar as idéias dos milaneses, e no mesmo lance  furou uma cabeçada, e depois chutou a bola em cima de um companheiro. Resultado, a redonda sobrou para Curiel que diminuiu. Os cruzmaltinos passaram sufoco nos últimos 15 minutos, por pouco a equipe peruana não empatou. Fágner salvou uma bola na linha e um chute de Viza aos 45  raspou a trave. A falha do defensor vascaíno por pouco não atrapalha os planos da equipe na Libertadores. Bobeira que custa ou que pode custar.....

domingo, 18 de março de 2012

Adeus Coruña, adeus cabelão

Desde segunda, estou de volta ao Rio de Janeiro.Chego e me deparo com o já previsível forte calor da cidade maravilhosa. Na Espanha, por onde fiquei nos últimos seis meses, não cortei o cabelo uma única vez, muito pelo clima ameno de Coruña. No entanto, as altas temperaturas do RJ impossibilitaram que eu mantivesse o cabelão, e na última quarta-feira cortei tudo na casa de minha querida tia.
Não quis tirar tudo em terras estrangeiras porque temi que os cabeleireiros não me entendessem. Meu espanhol evoluiu, mas falta muito ainda para que seja considerado bom. Creio que uma falta de boa comunicação com o barbeiro galego poderia acarretar num corte inesperado, que talvez eu não gostasse e isso seria um problema.
Foi um pouco chato abandonar aquele visual de viking barbudo e cabeludo, agora to mais para cantor pop.
Volta ao Brasil, de bobeira, daqui a pouco já começa a procura por estágios, será que vai demorar para conseguir um? Só o tempo dirá... 

sábado, 3 de março de 2012

Ryanair, companhia mais barata, mas as suas costas mata

Vida de estudante, sabe como é né? Sem grana, não se pode fazer extravagâncias, então há sempre uma busca por economia. Aqui na Europa, procuramos as companhias aéreas mais baratas, e de preferência, a mais barata, no caso, Ryanair, empresa irlandesa de baixos custos e que não costuma atrasar seus voos. Aí tudo bem,  pago pouco, chego na hora. O problema é que o banco não inclina, pequenas tarifas também tem seu revés. Foi pela Ryanair que eu mais viajei nesse intercâmbio, não gastei tanto, mas minhas costas coitadas, sofreram. É muito difícil também dormir quando não se pode deitar as costas, ao invés disso, passo uma hora ou duas ereto, quase  imóvel. Meus problemas musculares não são de hoje, fiz dois anos de RPG por um pequeno desvio na coluna, e vejo que as viagens pelo continente não ajudaram muito.
Dia 12 de março estou de volta ao Brasil, já com muita saudade, e chego para minha colação e festa de formatura. No entanto, ainda não me formei, acreditam? Falta  no mínimo um ano. Curioso né? Faculdade é assim mesmo, nem todos terminam junto. Saudações galegas daqui de Coruña!

Luxemburgo pode igualar Tele Santana

Vanderlei Luxemburgo é o novo treinador do Grêmio, o anúncio foi feito no dia 21 de fevereiro. Será a primeira equipe que comandará no Rio Grande do Sul, uma boa experiência e finalmente uma mudança de ares, após tantos anos de trabalho só no eixo RJ-SP-MG.
Sobre a chegada do técnico no tricolor  há uma curiosidade: Luxemburgo pode se igualar a Tele Santana e assim tornar-se o 2º treinador a conquistar títulos estaduais nos 4 grandes centros do futebol brasileiro. Em 1969, Tele sagra-se campeão carioca com o Fluminense, em MG foram duas vezes com o Atlético (1970, 1988). No Rio Grande do Sul conquistou o caneco com o Grêmio em 1977, interrompendo o domínio do Internacional (venceu todos entre 1969-1976). No São Paulo vieram os últimos estaduais da carreira, um bicampeonato em 1991-1992 em sua vitoriosa passagem pelo clube de Raí.
Foi também no futebol paulista que Luxemburgo ganhou mais prestígio e hoje é, mesmo com todas as críticas, um dos treinadores de futebol mais vitoriosos do país. Conquistou 8 títulos estaduais em SP, 4 com o Palmeiras, 2 com o Santos, 1 com o Corinthians e outro com o Bragantino. No último, foi onde ganhou visibilidade no futebol, ao levar um time pequeno do interior a conquista do campeonato mais importante do estado, em 1990. Em MG, um título, com o supertime do Cruzeiro em 2003 e outro com o Atlético em 2010. Mesmo carioca e  torcedor assumido do Flamengo, Luxemburgo só venceu com o time do coração   em 2011, ao bater o Vasco na final da Taça Rio nos pênaltis.
O caminho para igualar Tele poderia ser encurtado, mas sua estréia no Grêmio veio com eliminação. O tricolor gaúcho perdeu para o Caxias nos pênaltis por 5 a 4, após empate em 1 a 1 no tempo normal, e foi eliminado da Taça Piratini, 1º turno do Gaúchão que garante vaga na final.
Agora, para ser campeão nos quatro centros, o antes técnico do Flamengo terá de conquistar a Taça Farroupilha. E, talvez, reencontrar o rival colorado, o qual o Grêmio eliminou nas quartas-de-final do 1º turno ao vencer por 2 a 1 no Beira-Rio, com Luxemburgo na plateia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Futebol porra!

Ontem, joguei meu terceiro “soccer” aqui em Coruña. Foi uma pelada dos Erasmus, ou seja, dos estudantes estrangeiros que estão morando na cidade. A organização começou no Facebook, temos uma comunidade, a Fútbol Erasmus, e a princípio quatorze pessoas tinham confirmado presença, era até pouco pelo tamanho do campo. Chegou a hora e muito mais gente apareceu, quase trinta, um chama o outro que avisa o outro e o futebol ficou cheio.
Resolvemos dividir todos em quatro equipes, e como a grande maioria do pessoal é italiana, foram formados dois times da velha bota. Eu joguei no esquadrão dos brasileiros, que contava também com um italiano e um alemão. Os outros montaram o pelotão do resto mundo, que misturou franceses com poloneses e não sei mais o que. Eram sete na linha e um no gol.
O bom de tudo foi jogar mesmo, o prazer de estar ali, tocar a bola, além de praticar um esporte, uma atividade física. Eu estou na aula de volley  da universidade mas tive que faltar várias classes por causa das provas universidade. Para compensar essas perdas, corri na praia no sábado e ontem veio o futebol.
Não atuei tão bem, estava na zaga, fiz o melhor pelo time, saímos invictos! Jogamos sete jogos, empatamos seis e ganhamos um, não perdemos nenhum ueh. Torço para que mais partidas do esporte bretão sejam realizadas aqui, principalmente agora que minha estada em Coruña está perto do fim. Os dias nublados voltaram a se sobrepor depois de algumas tardes  de sol, que pena. Saludos!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

To Free Candy I say no!


Salve, salve todos os leitores do blog! Depois de muito tempo sem escrever, volto atualizando a página direto de Coruña, na Espanha, onde vivo desde agosto, estudo “Ciências de la Comunicacion” na universidade local. Não vou fazer um relato de tudo que se passou agora, vai ser aos poucos. Posso dizer que gosto muito daqui, muita coisa pra ver, pesquisar e entender.
O curso que estou matriculado é puxado. Estava acostumado com a “moleza” do Brasil, mais especificamente da Escola de Comunicação da UFRJ, e agora tenho que ralar muito nessa reta final de “cuadrimestre”, assim eles chamam o período letivo entre setembro e janeiro.
O que me incomoda aqui é a chuva, como cai nessa cidade! Hoje, sexta-feira, enquanto escrevo, outros se protegem como podem nas ruas. No entanto, aqui a água não faz todo aquele estrago que faz no Brasil, pelo menos isso.
E,  em Coruña come-se muito bem. Acho que a existência de muitos e muitos restaurantes na ruas é um costume geral europeu, e onde vivo agora não é exceção. Doces também estão por tudo quanto é canto, a cada 5 minutos que ando aqui aparecem umas três ou quatro confeitarias com várias guloseimas expostas no vidro. Acho que aqueles que sofrem com regimes e dietas iam penar ainda mais aqui.
Nunca me alimentei bem, posso dizer isso sem hesitar. Como muitos doces, fast food e tudo mais. Tenho tentado mudar esse quadro nos últimos anos, mas é difícil. Tem sido mais complicado ainda na Espanha, com tantas e tantas “bobagens alimentícias” espalhadas pelas ruas.
Agora me decidi, vou mudar esse status. Estou numa de ficar sem comer doces por 3, 4 dias, e durante essa semana não comi nada que tivesse açúcar, só cereal de café-da-manhã, vocês acham que conta? Quando posso voltar a comer alguma guloseima, eu crio um “Free candy day”, ai sim, da pra ingerir uma tentação.
Porém, no fundo do fundo da consciência, vem uma sensação de culpa por ter criado esse Free Candy Day. Algo me diz que, por todo esse tempo que comi doce, devia deixá-lo preso naquele vidro da padaria, apenas para exibição, e não para desnutrição. Não sei até quando, mas por enquanto, posso dizer que , “to Free Candy, I say no!”. Saludos!