sábado, 19 de dezembro de 2015

Técnicos de futebol e os diretores de cinema

                                  Fotos: http://spfc.terra.com.br/ e Wikipedia



Há tempos que venho pensando em uma certa semelhança entre estas profissões. São de áreas distintas e que garantem muita emoção e entretenimento a fiéis seguidores. Tanto os treinadores de futebol quanto os cineastas não têm um trabalho fixo, e sim um emprego temporário em um filme ou clube.  Em alguns momentos, pela boa fase que passam, nunca vai faltar oportunidades. Em outras ocasiões,  podem ser esquecidos e não são nem de longe a primeira opção de grandes estúdios ou equipes do esporte bretão.
Uma enorme semelhança entre estas duas funções é a pressão que todos sofrem e a responsabilidade que têm. Os técnicos são os grandes culpados nas derrotas, e, especialmente no Brasil, se não conseguem alguma vitória em três jogos já começa a especulação sobre sua saída. No cinema, a direção é o cargo mais importante e não pode ser entregue a qualquer um. Há também outras funções essenciais, como os produtores, roteiristas, atores mas quem irá comandar tudo é o diretor. Por isso, Martin Scorsese, José Padilha, George Lucas, entre outros, sempre levam os méritos ou a culpa pelos resultados da bilheteria. Na Sétima Arte, os realizadores são muito supervalorizados quando o longa ou curta-metragem tem uma boa recepção e os críticos e público se esquecem de elogiar outros departamentos. Acredito que a pressão que os cineastas sofrem é algo mais comum em Hollywood, terra dos enormes orçamentos, e lá todo esse dinheiro tem que render mais dinheiro.
Pensando agora em exemplos específicos de cada área que se assemelham, me vem na cabeça os nomes de Vanderlei Luxemburgo e Steven Spielberg.  Penso nestes muito pelo dinheiro. Spielberg conseguiu que muitas de suas realizações alcançassem gigantescos faturamentos. Sobre o Luxemburgo, pensei neste por ser um dos primeiros técnicos no Brasil a ganhar salários exorbitantes, além de sempre usar ternos luxuosos ao comandar suas equipes. Os dois para mim representam a fartura de dinheiro em suas respectivas áreas. Porém, há diferenças de como é feita a cobrança nestas profissões. No futebol só a vitória é que interessa, algumas vezes o empate pode ser um bom resultado mas não costuma ser. Um filme pode ser considerado bom por alguns, péssimo por outros, e não será considerado ruim por alguém só porque não teve uma boa bilheteria. Por isso é importante ressaltar que a derrota para um cineasta é bem mais difícil do que para um técnico. Nos últimos anos, Luxemburgo não tem mais conseguido os títulos e vitórias de antes e por isso considero que sua carreira entrou em declínio. Spielberg nos últimos anos não fez filmes tão bons quanto antes mas isso não quer dizer que este também entrou em um declínio, até porque em suas mais recentes produções sempre há pontos positivos: planos, direção de atores.
Podemos citar outras semelhanças:  Rinus Michels, com suas inovações táticas, especialmente na Seleção Holandesa de 1974, com grandes cineastas que trouxeram novas experimentações na tela: Glauber Rocha, Jean-Luc Godard e Federico Fellini.  Ou Luiz Felipe Scolari, que teve uma trajetória vitoriosa mas sempre foi conhecido pelo futebol força, comandando equipes que se importavam mais com o resultado do que jogar bonito. Acho que este treinador se assemelha com Terrence Malick, cineasta norte-americano que em mais de 40 anos de carreira só dirigiu sete longas-metragens. Malick é conhecido por não se preocupar muito em fazer filmes comerciais. Destaco deste as produções “A Árvore da Vida” (2011) e “ Cinzas no Paraíso” (1978). Ou seja, Malick e Felipão se parecem porque não se importam muito com o que o público vai pensar, focam mais no resultado do que na reação.
Tantos os técnicos quantos os diretores se reinventam constantemente, que mudanças vamos ver em 2016?

E o futuro que não chega

                                                         
        Blade Runner (1982). Foto: http://www.deolhonailha.com.br/

Mais um ano que passa. E como passou rápido. Parece que o tempo se acelera cada vez mais, porém, fica a pergunta, caso não tivéssemos todas essas marcações (segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses) o tempo seria tão ligeiro? No entanto, não podemos negar que o tempo passa, seja por uma ruga que aparece, por aquela barba que cresce, pelo cabelo que desaparece, pelos hábitos alimentares que mudam, pelo cansaço maior, por menos rancor ou orgulho, por menos atitudes precipitadas, por ter uma mente mais aberta, pelo que você anda escutando de música, pelo que você anda lendo, pelos filmes que você assiste, por suas conquistas pessoais e tantas outras coisas.
Seja com ou sem marcação do tempo, não se pode negar que o passar dos anos assusta. Agora vamos para 2016! Quem nasceu em 2000 se tornou adolescente! Quem é de 1986 vai fazer 30 anos! Quem é de 2005 já tem 10 anos! Eu sou de 1989, e pessoas que nasceram no mesmo ano que eu já são diretores de agências de publicidade, músicos, roteiristas, advogados, engenheiros, profissões que sempre achei que seriam exercidas por gente mais velha! A faculdade, antes um sonho, agora faz parte do passado, de um passado muito bom, importante dizer.
Falando de cinema, sempre me lembro de um dos filmes mais “futurísticos” de todos os tempos, o clássico “Blade Runner-O Caçador de Androides”, de 1982, dirigido por Ridley Scott e protagonizado por Harrison Ford. Na produção, Ford interpreta Rick Deckard, um policial aposentado que deve voltar para cumprir uma missão: acabar com um grupo de androides (replicantes) que conseguiu fugir para Terra.  O enredo se passa em 2019, quando estas máquinas humanoides são consideradas perigosas e por isso forçadas a trabalhar em colônias fora de nosso planeta. Na época de seu lançamento, “Blade Runner” teve críticas mistas e um desempenho ruim nas bilheterias da América do Norte, mas hoje é considerado um dos melhores filmes já feitos. A produção surpreende não só pelo enredo, mas também pelos incríveis efeitos visuais e cenários modernos. Dentre as atuações, destaco a de Rutger Hauer, que interpreta o líder do grupo de replicantes.
Eu quis falar deste trabalho de Ridley Scott porque já estamos chegando perto do ano em que supostamente se passaria, 2019. E, como em tantos outros filmes futurísticos, ”Blade Runner” mostra carros voadores acessíveis a todos. Dei uma pesquisada, e vi que há uma previsão de lançamento para 2016 dessa tecnologia, mas isso não está certo, e mesmo se for, está longe de ser popular. Os androides são outro elemento constante em “Blade Runner” e em outros filmes de futuro, mas hoje pouco se comenta se essas máquinas realmente serão criadas.
Saindo um pouco de “Blade Runner”, há também outro elemento presente nestas produções a frente do tempo: os robôs (que não tem forma humana como os androides). Sim, eu sei que já existem robôs, mas, diferente do que se mostra na Sétima Arte, essas invenções estão longe de ser algo popular, ainda estão em fase de desenvolvimentos e não há previsão de quando serão disponibilizadas para compra.
Acho importante citar outra invenção muito presente no cinema que está longe de existir: a máquina do tempo. Em alguns casos, os roteiristas não precisaram avançar cem anos na frente. Em “De volta para o Futuro” o enredo acontece no mesmo ano em que o filme foi lançado, 1985, com muitas viagens no tempo. Passear por outras épocas é um grande sonho que tenho, mas ainda estamos muito longe de alcançar tal proeza.
Não posso deixar de mencionar outro elemento: alienígenas. Porém, não aparecem somente em filmes futurísticos mas também nos que se situam tempos atrás e no tempo  presente. alguns aliens são bons, outros querem dominar ou destruir a Terra, mas até hoje na vida real não há uma prova concreta que existam. É impossível prever se um dia vão vir, mas serão eles a salvação para tudo que estamos vivendo? Nosso planeta se afunda cada vez mais, pessoas sem água, sem comida, a intervenção humana acabando com a fauna e a flora, guerras matando indiscriminadamente, mortes causadas por religião, cor, raça e o dinheiro prevalecendo sobre qualquer outro valor. Penso que só o inimaginável pode nos livrar de todo esse caos e a vinda de extraterrestres talvez sirva para esse objetivo. Uma das poucas coisas em que a nossa realidade e os filmes futurísticos mostram em comum é o temor pelo que vai vir: “Blade Runner”, lançado há mais de 30 anos, apresenta um futuro temeroso, superpopuloso e tomado por pobreza, fome e poluição. E, do jeito que está, nosso mundo se direciona para um colapso. Outras produções de Hollywood já alertam para este rumo catastrófico, que sinceramente, não me parece que será alterado por convenções climáticas. Pelo jeito, a única solução seria esperar pelo inimaginável, mas será que ele vai vir?     
Não podemos parar o tempo, e 2016 já vai começar. Apesar de todos os problemas, confiamos que um novo ano vai trazer novas esperanças.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Calçadamol

         
                                                      Foto: Jornal Extra


          Gosto muito dos neologismos brasileiros, principalmente quando são originários de expressões da nossa língua.  No Brasil, fala-se muito o “se manca”, quando queremos que outro indivíduo perceba que está agindo errado, ou que está sendo inconveniente. Desta expressão, surgiu o maravilhoso “semancol”,  uma brincadeira com o sufixo “ol”, presente em nome de remédios. Ou seja,”semancol”  é uma medicação imaginária que a pessoa toma para “se mancar” do erro que está cometendo. Quem nunca ouviu: “fulano está precisando tomar semancol”.
Agora, eu quero um criar um neologismo, e que está ligado com o “semancol”. É o “calçadamol”. A pessoa toma, e aí percebe que está atrapalhando a passagem. Seria bom, principalmente no bairro de Botafogo, onde os pedestres andam em trechos tão curtos. É uma grande irritação quando uma pessoa para na calçada para conversar ou ver a vitrine de uma loja! Nunca gritei com ninguém que tenha feito isso, mas às vezes tenho vontade! Que falta de bom senso! Queria dizer assim: “se manca, vai tomar um semancol, quer dizer, vai tomar um calçadamol!”.

sábado, 19 de setembro de 2015

Dica de filme: Shame

                           Foto: http://www.parpite.com.br/


Shame, de 2011, é o segundo longa-metragem de Steve McQueen (primeiro diretor negro a vencer o Oscar de Melhor Filme com “12 anos de escravidão”, também vencedor nas categorias de Melhor Atriz coadjuvante, Lupita Nyong'o, e Melhor Roteiro Adaptado na edição de 2014). Shame não teve a mesma repercussão de “12 Anos de Escravidão”, mas foi selecionado para vários festivais e Michael Fassbander recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza.
Fassbander interpreta um bem-sucedido publicitário que vive em Nova York sozinho em seu próprio apartamento.  Parece que tudo corre bem em sua vida, exceto por um problema, ele é viciado em sexo. Por isso, está sempre tentando saciar seus desejos, seja com prostitutas, ou garotas que conheceu em bares ou no trabalho, e por meio da pornografia na internet. No entanto, seu frequente assédio a mulheres pode lhe acarretar problemas. A situação piora ainda mais quando sua irmã (Carey Mulligan) resolve morar com ele. A personalidade de ambos é contrastante, enquanto ela é mais agitada, ele, apesar de suas perversões, é uma pessoa mais calma. Por isso, a convivência entre os dois ocasiona conflitos.
O filme possui um roteiro interessante e impressiona pelas fortes e realísticas cenas de sexo.  Além disso, conta com ótimas intepretações de Carey Mulligan e Michael Fassbender,  ator presente nos três longas de McQueen. Comparando com “12 anos de escravidão”, vejo Shame mais original e por isso mais capaz de prender o espectador. Mas o filme vencedor do Oscar aborda questões da história norte-americana, ponto muito favorável quando se disputa a estatueta.  Ouvi falar de Shame em uma conversa de bar com amigos em 2012 e no mesmo ano eu assisti. Dois anos depois  descobri que fora realizado por McQueen. Enquanto esperamos pelo próximo trabalho desse cineasta, vamos dar uma olhada neste longa-metragem que aqui recomendo!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Já parou pra pensar?






Já parou para pensar que pra sair de casa você tem que estar vestindo roupa? E que se não sair desse jeito podem te prender. Já pensou que anos e anos atrás pessoal quase não usava roupa? Agora usa-se, até demais, usa-se vários tipos de sapatos, camisa, calça, short. Já parou para pensar que hoje sem luz elétrica você não vive? Ou melhor vive, mas sua vida vai ficando muito difícil. E que no passado nem luz de vela existia?  E essa coisa que se chama internet, já pensou em viver sem ela? Hoje fica difícil. Celular nem se fala, se você não tem....
Já parou para pensar que antes nós humanos nos comunicávamos por escrituras nas pedras? E hoje, nos comunicamos por grupos de WhatsApp, e quem não tem esse aplicativo já começa a ficar excluído de tudo. Antes, era o  MSN ou ICQ, e daqui a pouco, um novo aplicativo vai ser criado, e que não o tem, babou...
Já parou para pensar que antes o casamento era forçado, especialmente em épocas medievais, a princesa tinha que casar com o príncipe ou vice-versa. Anos atrás, o matrimônio era a única forma de relação entre homens e mulheres (além é claro das traições). E que hoje, há relações muito além do casamento: ficantes, peguetes, namorada, mulher com quem você tá saindo e por aí vai, e sempre novas formas serão criadas.
Já parou para pensar sobre a água, que coisa estranha que ela é, sem gosto, sem cor, mas vital para nossa sobrevivência. Parou para pensar que você tem que pagar para tê-la, mesmo ela sendo tão necessária?
E o tempo? Isso você nunca parou para pensar? Nunca te estranhou que nosso tempo é divido em horas, dias, semanas, anos e tanto mais. Que hoje é terça-feira, depois quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo e que sempre será assim, não só no Brasil. Em outros países ocidentais temos uma semana que é divida em sete dias. Será que é o tempo que passa rápido? Ou somos nós que o fazemos passar tão rápido, com todas essas divisões? Uma coisa é certa, o tempo não volta. E só nos damos conta disso quando paramos para pensar.
Já parou para pensar que você tem que ter um nome? Se não tiver, quem será você? Não só nome, mas sobrenome e data de nascimento. E que você tem uma idade, medida pelos anos que viveu, e que quando completar mais um ano de vida, todos vão te dar presentes e cantar parabéns.
Já parou para pensar em nossas origens e o que somos hoje?  Na Pré-História, morávamos nas cavernas, para se esconder do frio, acho que éramos todos iguais. Agora são tantas divisões. Somos classificados por nacionalidades, língua, religião, etnia, ideologia política, capitalistas ou comunistas. Já parou para pensar que muitas vezes nos matamos só porque outra pessoa pensa diferente, tem outro tipo de fé, outra cor de pele ou outra nacionalidade?
Já parou para pensar na existência do dinheiro? Nunca parou para pensar que a vida seria tão mais fácil sem este quesito?
E no seu corpo, já parou para pensar? Não é estranho que tenhamos doenças? O nosso próprio corpo, querido corpo, que nos abriga, em muitas vezes se volta contra nós mesmos. Pode ser uma revoltazinha de leve, como febre. Ou algo pior, como diabetes. Ou fatal, como câncer, infarto ou AVC.  Não é estranho que podemos morrer por causa do nosso próprio corpo?
Já parou para pensar em você mesmo? Que você é humano, e que se não fosses, não poderia estar lendo isso? Que humanos existem, e que muito do que está em nosso redor só foi possível pela nossa sobrevivência? Que filmes, desenhos animados, lendas, mitos, profecias, invenções, armas, tudo isso pode nos assustar, mas tudo foi criado por nós mesmos? Que tem tanta coisa no mundo que é tão difícil de explicar, mas que os próprios humanos que criaram? Ou tantas invenções que nos surpreendem, com altas tecnologias, mas que foram feitas por gente como a gente?  E qual teria sido o rumo da Terra se não existissem os humanos? Nunca iríamos saber. Mas, só nós, humanos, podemos parar para pensar essa questão, então, se não existíssemos, ela nunca teria sido colocada em pauta.
Aliás, já parou para pensar que, se não fosses humano, não poderias parar para pensar?


domingo, 13 de setembro de 2015

Dica de filme-Ran

                                 Foto: http://filmesegames.com.br/

(Amigos, dica de cinema sempre sai aos sábados, mas ontem estava atarefado e só pude escrever hoje).
Filme de 1985 dirigido pelo mestre Akira Kurosawa, Ran tem como enredo o Japão do século XVI, onde o senhor feudal Hidetora, patriarca do clã Ichimonji, decide dividir seu reino entre os três filhos Taro, Jiro e Saburo. Taro, o mais velho recebe o Primeiro Castelo, que é o centro do poder, enquanto Jiro e Saburo recebem respectivamente o Segundo e Terceiro Castelo. Hidetora se intitula o “Grande Senhor”, mantendo assim seus privilégios, mas sem a obrigação de cumprir as funções de antes.
         O “Grande Senhor” espera que seus filhos se ajudem nesta nova fase, mantendo as conquistas da família. Porém, a fraternidade é logo quebrada quando Saburo passa a criticar tanto o pai quanto o plano de divisão de posses, pois não acredita que os irmãos vão ser fiéis ao patriota. Hidetora fica furioso, mantém seu plano e bane Saburo. Logo, os laços familiares acabam e começa uma batalha por poder, enlouquecendo o “Grande Senhor”, que passa a vagar pelos campos acompanhado do servo Tango e de Kiyoami, o Bobo.
         O filme então vai narrando as batalhas pelo domínio do feudo, causadas principalmente pela ambição de Kaede, esposa de Taro e que manipula os irmãos e busca vingaça contra Hidetora. Este destruiu a família de Kaede, ficou com os territórios antes pertencentes aos parentes da moça, que foi casada à força com o filho mais velho do patriarca, Taro.
       Ran, uma produção franco-japonesa, em grande parte de sua longa duração, 160 minutos, divide o foco entre o caminho percorrido pelo enlouquecido Hidetora, vagando por campos nipônicos, e as batalhas entre os irmãos ensandecidos por poder. O filme surpreende pela direção de arte, fotografia e figurino, quesito pelo qual venceu o Oscar de 1986.
       Talvez este longa não devesse ter uma duração tão extensiva, o que me cansou um pouco, mas, isso é relativo, outros espectadores podem gostar. A espera pelo desfecho na disputa pelo poder, aliado às ótimas cenas de batalha e a excelente direção do mestre Kurosawa tornam Ran uma produção que deve ser vista, um clássico do cinema nipônico que não pode passar despercebido.   

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Nostalgia na cabeça! Yu Yu Hakusho!



E dessas surpresas agradáveis que o Youtube nos proporciona, descobri vários episódios do anime Yu Yu Hakusho, que passou na Rede Manchete entre 1996 e 1999 e retornou com nova dublagem no Cartoon Network em 2004. Na internet, vi os episódios com a dublagem brasileira, mas também com inglês norte-americano e as originais japonesas com legenda em inglês. O desenho conta a história de Yusuke Urameshi, adolescente problemático que morre para salvar uma criança de um atropelamento. O ato de Urameshi é inesperado, e por isso ele tem a chance de voltar à vida caso salve uma amiga de infância. Ele consegue retornar ao Mundo dos Humanos, mas com a condição de se tornar um Detetive Sobrenatural, lutando contra todos os monstros e demônios do Mundo das Trevas.
Yusuke passa a trabalhar para Koenma, filho do líder do Mundo Espiritual Enma Dayou. Em razão da ausência do pai, Koenma é quem cumpre as incumbências de seu progenitor, decidindo para onde os mortos devem ir. Após algumas tarefas realizadas, Yusuke é enviado para a seleção do novo discípulo de Genkai, uma humana com incríveis poderes. Porém, o grande objetivo de Urameshi nesta missão é encontrar e matar Lando, um youkai (classe de criaturas sobrenaturais) que coleciona doutrinas e mata seus mestres. O amigo de escola do protagonista, Kuwabara, também participa da competição e chega até as fases finais, demonstrando considerável energia e força. Urameshi encontra e derrota Lando e também se torna discípulo de Genkai, passando por um árduo treinamento. O desenho então segue as aventuras de Yusuke, Kuwabara, além de Hiei e Kurama, dois youkais que se aliam ao protagonista.
Yu Yu Hakusho, como a maioria dos anime, começou como mangá, escrito e desenhado por Yoshihiro Togashi e transformado em animação pelo Estúdio Pierrot. Não fez o sucesso estrondoso no Brasil se comparado a outras produções como Cavaleiros do Zodíaco ou Pokémon, mas é o desenho japonês que mais me marcou. Foi dividido em quatro sagas, a minha preferida é a do Torneio das Trevas, em que Yusuke e seus amigos participam de uma competição que reúne monstros e humanos. Eles entram no evento ao serem desafiados por Toguro, humano transformado em demônio que vendeu a alma para não envelhecer e preservar a força.
Esta é a segunda saga. A primeira mostra as tarefas de Yusuke para ter a confiança de Koenma. A terceira mostra a batalha contra Shinobu Sensui, um ex-Detetive Espiritual que deseja abrir um buraco enorme para a entrada de monstros no Mundo dos Humanos. Na quarta, Urameshi descobre ser filho de um dos três magos do Mundo das Trevas e vai encontrar seu progenitor que acaba morrendo. Logo, o protagonista cria um torneio para decidir quem vai controlar o Reino dos Monstros.
Um ponto interessante deste desenho é que a dublagem brasileira não foi muito formal, e volta e meia o protagonista usava gírias do nosso país como “rapadura é doce mas não é mole não” ou “eu tô na área hein, se derrubar é pênalti”. Em entrevista concedida para um evento de anime, disponível no Youtube, o dublador de Yusuke no Brasil, Marco Ribeiro, afirmou que em muitas ocasiões o texto em português terminava, mas os personagens na versão original japonesa continuavam a falar. Por isso, para preencher o que faltava, vinham as improvisações e assim eram incluídas expressões do nosso País.
Para quem tem saudade do tempo de criança, é só jogar Yu Yu Hakusho no Youtube que vários episódios vão vir. É uma boa distração quando você está de bobeira! Até a próxima! 

sábado, 5 de setembro de 2015

Dica de filme: O Amor Custa Caro

        Salve amigos do blog! Depois de um tempo ausente, retorno com mais vontade e inspiração para escrever! Foram cinco meses sem posts, mas espero que agora consiga retornar com regularidade! Antes da pausa, estava todo sábado escrevendo sobre algum filme que indicaria para ser assistido. Bom, hoje é sábado, então volto, e espero que com tudo, falando de uma obra da sétima arte. Hoje vamos com uma pouco conhecida, de 2003, mas que explora uma temática não muito falada no cinema: o lucro que o casamento pode te dar ou os prejuízos que causa.
     "O amor custa caro", dos Irmãos Coen, não é a produção mais famosa da dupla, mas acho um filme que te prende do começo ao fim. O personagem principal é Miles Massey (George Clooney), um advogado bem-sucedido na área de divórcios. Massey  tem como cliente Rex Rexroth (Edward Hermann), um ricaço que se encontra em apuros após ter sido flagrado traindo a esposa, que é ninguém menos que Marylin Rexroth (Catherine Zeta-Jones), uma mulher que busca a fortuna por meio de divórcios. Com a traição exposta, nos tribunais a esposa tem grandes chances de ficar com tudo que era de Rex.  
     Massey consegue salvar seu cliente no julgamento e Marylin não fica com nada da fortuna de seu ex-cônjuge.  Porém, o advogado se apaixona pela ambiciosa mulher, mas a paixão não o faz perceber que ele é a próxima vítima da golpista.
     O filme chama a atenção pela ótima atuação de Clooney, que consegue dar ao seu personagem um tom cômico, como em “Queime Antes de Ler”, outra parceria com os Coen. A temática de como o casamento pode arruinar as pessoas foi uma escolha interessante, que atrai o público, ainda porque é tratada de maneira engraçada, traço importante do trabalho dos irmão Joel e Ethan.
       Sábado que vem tem mais filme, e durante a semana, outros textos, sobre o que vier na cabeça.


                                                       


sábado, 11 de abril de 2015

Dica de filme: Vegetal


                               Equipe, elenco e figurantes na estreia do curta Vegetal!

Amigos, hoje é meu aniversário! E por isso, a dica de cinema é de um curta-metragem bem louco intitulado Vegetal que codirigi com meu amigo da ECO-UFRJ Fabiano Soares. O filme conta a história de Jorge, um homem que tinha uma vida boa, até que começou a consumir cenouras, beterrabas e pepinos, alimentos danosos e ilegais nessa realidade inverossímil. Por isso, Jorge perdeu empregos, amigos, estabilidade e saúde, só não perdeu sua esposa Márcia, a única que pode ajudá-lo a superar o vício.
O roteiro de Vegetal foi escrito por mim com colaboração do Fabiano e do Axel Martínez, amigo mexicano da ECO-UFRJ que hoje vive em Montevidéu, Uruguai. Foi uma ideia que me venho na cabeça quando morava em Coruña, na Espanha, fazendo intercâmbio, entre agosto de 2011 e março de 2012. Em abril de 2012 começamos a pré-produção, e decidi dirigir o curta, primeira vez que cumpri essa função, e chamei o Fabiano para dividi-la, nos já tínhamos trabalhado juntos no curta-metragem Terno do Zé, que ele dirigiu e eu trabalhei na produção junto com Luciana Kani.
As filmagens aconteceram entre outubro de 2012 e fevereiro de 2013, foram apenas cinco dias, mas o período de gravação se estendeu pela dificuldade em conciliar os horários da equipe. Em uma das cenas, perdemos todo o som e por isso tivemos que dublar, além disso gravamos uma música de encerramento, todos esses acertos aliados ao tempo da edição atrasaram um pouco o lançamento , que só foi feito em março deste ano. Mas finalmente saiu! 
A estreia aconteceu no Salão Pedro Calmon, no Campus Praia Vermelha da UFRJ, no dia 13 de março, e agora esperamos que o filme participe de muitos festivais. Vegetal é uma ideia bem louca, achei que seria chamativo colocar os legumes e verduras, alimentos tão nutritivos que toda a mãe diz para o filho comer,  como algo prejudicial, ilegal, e assim discutir a questão de itens que são danosos mas permitidos na sociedade, como cigarro e bebida. Foi uma ótima experiência poder fazer esse filme, e não é porque eu codirigi não, mas vale a pena ver!


domingo, 5 de abril de 2015

Dica de filme: Predator



                                                             


               Amigos, desculpem a ausência da dica de cinema nos últimos dois sábados,  no retrasado viajei para São Paulo para ver o Lollapalloza (que aliás foi muito bom!) e no último também estava fora, em Lavras Novas, distrito de Ouro Preto-MG, lugar bem legal, hospitaleiro, com belos passeios e cachoeiras. Por isso, fim de semana retrasado não teve filme aqui no blog e neste a dica é hoje, mas a próxima dica sobre alguma produção da sétima arte já volta a ser sábado, dia oficial para esta postagem.
               Hoje, quero colocar um pouco de ação no blog! Afinal, cinema de ação também é cinema, acho que pouco se fala desse gênero quando discutimos a sétima arte.  Vamos falar de um filme de 1987, Predator, dirigido por John McTiernan (Duro de Matar I e III, O Último Grande Herói) e estrelado por Arnold Schwarzenegger. O longa narra a missão de uma equipe de resgate do exército americano que, a mando da CIA, ruma para uma floresta na América Central com objetivo de salvar um ministro da Guatemala das mãos de guerrilheiros. Liderados pelo major Alan “Dutch” (Schwarzenegger), eles conseguem eliminar os guerrilheiros mas encontram os prisioneiros mortos. E, agora estão ameaçados por uma criatura alienígena que caça homens por prazer e que pode ficar invisível, utiliza uma camuflagem transparente, sendo assim um inimigo mortal para os soldados.
               Não quero antecipar mais, para quem não viu, vale a pena ver. Predator não é só ação, é também suspense, a inteligência do diretor McTiernan consegue prender o espectador na poltrona, cadeira, seja onde estiver assistindo. Há uma tensão constante de quem será a próxima vítima da criatura, e o embate final entre o alien e Dutch também carrega muito suspense e adrenalina.
               Predator foi feito com 18 milhões de dólares e conseguiu faturar 60 milhões de dólares só nos EUA. O enredo se passa na América Central, mas as filmagens foram realizadas em Puerto Vallarta, no México. Assistindo  ao Making Of (http://migre.me/plqSG) descobri que um dos grandes problemas para se produzir esse filme era o calor, além é claro de ser um local isolado, em que é necessário trazer uma infraestrutura grande de acomodações e alimentação. Outra curiosidade é que incialmente Jean-Claude Van Damme iria vestir a roupa da criatura alienígena e encarnar o vilão , ele rodaria as cenas em uma tela azul que depois seriam inseridas por meio de efeitos especiais. Porém, o ator belga desistiu do trabalho porque seu nome não apareceria nos créditos, Em seu lugar, foi escalado Kevin Peter Hall, de 2,18 metros, que também interpretava o piloto de helicóptero que levava a equipe  a um local próximo de onde seria o resgate. Assim, as cenas do alienígena foram feitas ali na selva mesmo, sem tela azul.
                O filme também impressiona pelos efeitos especiais, reproduz bem a camuflagem da criatura e as armas usadas para “caçar” os humanos. O alienígena, muito lembrado pelo longo cabelo e mandíbulas assustadoras, já é um ícone dos filmes de ação, tanto que Predator ganhou uma continuação, Predator II (1990), e uma nova versão, Predadores (2010), mas sinceramente nenhum desses supera o primeiro. Houve também os dois filmes Alien Vs Predator, envolvendo os dois extraterrestres mais aterrorizantes do cinema, que são longas que te prendem mas não têm muita originalidade.
                  Predator (1987) está disponível no youtube, áudio em inglês mas sem legendas, mesmo assim tentem ver!  http://migre.me/plrkh

sábado, 21 de março de 2015

Dica de filme: O Banheiro do Papa

             

                                                          
                                     Foto: http://almostana.blogspot.com.br/
           

                Vamos colocar um pouco de América do Sul nessas dicas, falando do primeiro filme uruguaio que vi na vida. Descobri por meio dos meus pais o longa-metragem “Banheiro do Papa”, de 2007, escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernandéz. Na verdade, esta foi uma coprodução do Uruguai com o Brasil e França, mas como nunca tinha ouvido de um filme do país de Mujica, achei legal destacar esse fato no começo do texto. Em nosso País conhecemos muito pouco do cinema latino-americano. As salas exibem predominantemente os filmes norte-americanos, alguns europeus e também da Argentina. Fora desse eixo só filmes que tiveram uma grande repercussão internacional.
              Voltando a dica, “O Banheiro do Papa” narra o drama de uma família durante a visita de  João Paulo II, em 1988, a uma cidade do Uruguai, Melo, próxima da fronteira com o Brasil. A chegada de Sua Santidade é vista pelos moradores locais, que sofrem com a pobreza, como uma oportunidade para melhora da condição financeira.
               Beto, o protagonista, tem uma vida humilde junto de sua esposa Carmen e sua filha Silvia, que sonha ser jornalista. Ele trabalha com transporte de muamba, mas diante das dificuldades econômicas, vê na chegada do Papa a chance de juntar dinheiro para comprar uma motocicleta e assim melhorar sua locomoção no trabalho. Por isso, decide construir um banheiro público que funcionaria somente no dia da visita do pontífice, e pela grande demanda teria um bom lucro.
              O filme é um drama, com um enredo triste pelas dificuldades econômicas que assolam a família de Beto. A produção chama a atenção pelo roteiro original e pela ótima atuação do uruguaio César Troncoso (que interpreta Beto). Este ator já participou de filmes e novelas brasileiras. Eu não vi “Banheiro do Papa” no cinema, vi no computador, e creio que está disponível para baixar em sites de torrents, então assistam! Vamos ver mais filmes da América Latina e conhecer mais a nossa região!

sábado, 14 de março de 2015

Dica de filme: Na Roda da Fortuna

                                       Foto: https://filmescultuados.wordpress.com

            Filme dos irmãos Cohen, lançado em 1994 e estrelando Tim Robbins, acho que não teve tanta repercussão mas quero divulgar aqui porque foi uma das produções que mais gostei dessa competente dupla de cineastas. 
          O filme, ambientado provavelmente entre as décadas de 50 e 60, começa mostrando a difícil situação das indústrias Hudsucker (ficitícia), abalada pela perda de seu presidente Waring Hudsucker (Charles Durning) que se suicidou. Seu substituto natural seria o acionista Sidney J. Mussburger (Paul Newman), que fica muito preocupado por uma cláusula do estatuto que obrigava o novo presidente a ofertar ao público as ações da indústria. Essas ações representavam 87% da corporação e assim os atuais acionistas iriam perder o controle dos negócios. A saída arquitetada por Mussburger era convencer o mercado que a Hudsucker estava à beira da ruína pela perda do seu presidente.  Logo as ações ficariam baratas e os sócios poderiam comprá-las, e para completar seu plano Mussburger queria nomear uma pessoa incompetente para o cargo de presidente.
         Então entra na história o protagonista Norville Barnes (Tim Robbins), recém-formado na faculdade e que tem dificuldade para encontrar um emprego. Consegue uma vaga na Hudsucker para trabalhar como mensageiro e em seu primeiro dia tem a tarefa de entregar uma carta azul (que representa uma má notícia) para Mussburger. Mas Norville esquece de entregar a carta para o executivo. Pela convivência com o trapalhado Norville, Mussburger percebe que o rapaz tem as características perfeitas para assumir a corporação.
          Assim, o filme narra a trajetória de Norville como presidente, e cativa o público ao mostrar as peripécias do atrapalhado mas carismático protagonista para alcançar o sucesso nas indústrias Hudsucker. A atuação de Tim Robbins é muito boa, conseguindo trazer uma firme inocência ao personagem. Destaque também para Paul Newman, interpretando bem um ambicioso executivo, e de Jennifer Jason Leigh como a jornalista Amy Archer que se envolve amorosamente com Norville. Destaco também a inteligência dos irmãos Coen,  pelos diálogos e cenas engraçadas desta produção, que como disse não é uma das mais conhecidas da dupla mas vale a pena conferir.

sábado, 7 de março de 2015

Dica de filme: Meu pé esquerdo (1989)

                                                                Foto:UOL

                       
Este filme conta com mais uma das tantas brilhantes atuações de Daniel Day-Lewis. Ele interpreta Christy Brown, um jovem de família humilde irlandesa que nasceu com uma paralisia cerebral, e por isso só pode mexer seu pé esquerdo. Aos poucos, Christy encontra o talento da pintura por meio de seu pé, e mesmo com as dificuldades se torna um artista conhecido no Reino Unido.
Reitero a incrível atuação de Daniel Day-Lewis, que por este trabalho conseguiu seu primeiro Oscar de melhor ator. Neste longa-metragem, o inglês consegue incorporar muito bem uma pessoa com deficiência cerebral, ao reproduzir fielmente a fala e a maneira como o personagem se movia utilizando apenas um membro do corpo. Outro membro do elenco, a irlandesa Brenda Fricker, que interpreta a mãe de Christy, ganhou Oscar de melhor coadjuvante por este trabalho, mas sinceramente não vi nada de especial.
Talvez pelo tempo que passou, 26 anos atrás, poucos conheçam este longa-metragem, mas acho que vale a pena ser assistido tanto pela história quanto pelo protagonista. O filme foi dirigido por Jim Sheridan, considerado um dos mais conhecidos realizadores da Irlanda e que tem no currículo outra produção de sucesso, “Em nome do pai” (1993), também estrelado com maestria por Day-Lewis. “Meu pé esquerdo” está disponível no Youtube com legendas: http://migre.me/oUPa5.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Dica de filme: Ben Hur

                                                            Foto: Wikipédia

Esse é um filme das antigas, de 1959, mas que vi somente esse ano. Já tinha ouvido falar, pois foi uma megaprodução, de 12 indicações ao Oscar ganhou 11 prêmios, incluindo melhor filme, melhor diretor (William Wyler), melhor ator (Charlton Heston), melhor ator coadjuvante (Hugh Griffith) e melhor fotografia. Tal recorde só foi alcançado em 1998, por Titanic, e depois Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, em 2004.  O filme conta a história de Judah Ben-Hur (Charlton Heston), que vive na província romana de Judeia no tempo de Jesus. Ben-hur é oriundo de uma família rica, e vive com sua irmã e mãe. O protagonista reencontra um grande amigo de infância, Messala (Stephen Boyd),  que agora é  chefe da legião romana em Judeia. Ben-Hur não aceita  o controle dos romanos por isso se desentende com seu antigo “brother”, e por isso Messala o condena à escravidão e Judah diz que um dia irá se vingar.
Ben-Hur inicialmente é enviado como escravo a uma frota romana para trabalhar como remador. Depois de uma batalha, salva um importante membro da legião, consegue sua liberdade e vai para Roma. Depois segue para Judeia para reencontrar sua família e se vingar de Messala.
O longa-metragem é um drama épico bíblico e tem duração de 3h42m, mas eu não me preocupei, vi tudo em um dia sem parar. O roteiro é baseado no romance de Lew Wallace, também intitulado Ben-Hur. Outro filme com mesmo nome e história foi produzido em 1925, mas era mudo.  Na época, fim dos anos 50, Ben-Hur teve um orçamento surpreendente, 15 milhões de dólares e também impressionou pelos sets que reproduziam fielmente cidades do passado, como Jerusalém e Roma. Algumas cenas também foram marcantes pelo seu realismo, como a batalha de barcos entre frotas romanas contra piratas da Macedônia e a corrida de bigas onde o protagonista quer de todas as formas vencer Messala.
Ao pesquisar um pouco sobre este filme, descobri que em 2016 teremos outro filme Ben-Hur, com Rodrigo Santoro como Jesus, Jack Huston no papel principal  e com Morgan Freeman no elenco. A história será diferente, vai mostrar os primeiros anos da vida do protagonista e de Messala, ao mesmo tempo em que foca a jornada de Jesus Cristo e sua condenação por Pilatos. Será que vai ser legal essa nova produção? Veremos, mas a antiga vale a pena ver!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Dica de filme: Encurralado

                                               
Foto:http://www.streetcustoms.com.br/

            Sábado é dia de falar de um filme. Minha dica de hoje acho que poucos conhecem, foi o primeiro longa-metragem dirigido por Steven Spielberg, que se chama Encurralado, de 1971. Estava pesquisando um pouco mais da carreira do realizador de E.T, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, Jurassic Park, dentre tantos outros sucessos, e acabei encontrando Encurralado, de roteiro simples mas instigante, que não deixa o espectador sair da cadeira.
            O filme foi dirigido por um jovem Spielberg, que tinha menos de 25 anos na época. Conta a história de David Mann, interpretado por Dennis Weaver, que vai para o trabalho com seu carro, percorrendo as estradas da Califórnia. De repente, Mann começa a ser perseguido por um caminhão, sem razão nenhuma para isso. Inicialmente, parece uma brincadeira, mas tudo começa a ficar mais sério quando o protagonista descobre que o caminhoneiro quer realmente destruí-lo. Assim, se desenha a trama instigante desse filme, em que normalmente o público torce para que Mann consiga se livrar do seu perseguidor louco.
            Não acho que todos os filmes que Spielberg dirigiu foram bons, mas o cineasta norte-americano conseguiu manter uma média muito boa. E ao assistir Encurralado, descobrimos que não só as produções de de grande bilheteria valem a pena ser contempladas, há outras realizações menos conhecidas que também são válidas de se ver. Este filme que aqui citei está disponível no Youtube, infelizmente é dublado, mas mesmo assim vale a pena: https://www.youtube.com/watch?v=CPAWN6-G4nM

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dica de filme: Feliz Natal





                                                           
Foto: www.gazetadopovo.com.br 



                  Esse filme eu descobri por acaso, tinha ido na locadora tentar alugar outro título que estava em falta e acabei o escolhendo. Foi uma decisão certa, "Feliz Natal", 1º longa-metragem de Selton Mello na direção, te prende na cadeira, principalmente pela forte dramaticidade que conduz a trama. O protagonista Caio (Leonardo Medeiros, na foto acima) teve uma vida irresponsável no passado, dando muito trabalho a seus familiares. No presente, ele vive tranquilamente em uma cidade do interior e está casado. No natal, ele retorna para a capital para reencontrar a família na casa de seu irmão Theo (Paulo Guarnieri). Seus parentes não esperavam pela vinda de Caio, e o rencontro se desenvolve de maneira fria. A esposa de Theo, Fabiana (Graziella Moretto) tenta segurar o casamento que está em crise, e tenta receber bem seu cunhado mas durante o filme não conseguimos compreender se ela realmente gosta de Caio. Os pais do protagonistas estão separados, e sua mãe Mércia, interpretação incrível de Darlene Glória, tem problemas com a bebida. Mércia nutre ódio por Miguel, seu ex-marido e pai de Caio e Theo, e o antigo casal protagoniza uma acalorada e instigante discussão durante a confraternização de natal. Miguel, muito bem interpretado pelo ator Lúcio Mauro, rejeita Caio como filho mas o protagonista tenta por mais de uma vez o perdão de seu pai. 
                  Aos poucos, o passado de Caio vai se revelando mais e mais, e este é o grande fio condutor da história, principalmente quando o protagonista reencontra os amigos da época de irresponsabilidade. Os confrontos familiares também são um elemento essencial deste filme, que não teve muita repercussão, como disse, encontrei por acaso, mas acho que vale a pena ver.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Bola da vez: Sempre The Police!

                                             Foto: http://www.saluzzishrc.com/

             Vou te falar de uma banda que realmente sou fã, The Police! Sou apreciador da música desses caras, fui no show deles em 2007 no Maracanã e ouço as canções do grupo com frequência. Destaque também para o talento de seus integrantes, o vocalista Sting além de ótimo compositor toca baixo elétrico com muita competência, o guitarrista Andy Summers tem uma incrível habilidade nas cordas e se destacou pela inovação ao trazer riffs de reggae que fortaleceram a sonoridade da banda. O baterista Stewart Copeland impressionava não pela originalidade nas viradas e batidas, mas sim pela maneira precisa e veloz com que as executava e por isso foi eleito pela revista Rolling Stone em 2010 como 11º melhor baterista de Rock N´Roll da história.
The Police foi formado em 1977 na Inglaterra e ficou em atividade até 1984. As divergências entre os integrantes foram o principal motivo para o término. Sting, como membro mais talentoso, tomava cada vez mais o controle dos rumos musicais do grupo, o que irritava os outros integrantes, principalmente Copeland. Algumas músicas do baterista foram integradas nos álbuns, mas todos os sucessos foram obra do vocalista, e realmente o nível de composição de Sting é muito superior ao de seu ex-companheiro de banda.
Gravaram cinco álbuns de estúdio, Outlandos d´ Amour (1978), Reggatta de Blanc (1979), Zenyatta Mondatta (1980), Ghost In The Machine (1981) e Synchronicity (1983). Destaque para o terceiro disco, que tem os hits “Don´t Stand So Close To Me” e “De Do Do Do, De Da Da Da”, além das boas músicas “Bombs Away”, “Voices Inside My Head” e “Canary In A Coalmine”. O quinto álbum Synchronicity é considerado o melhor da banda, e emplacou sucessos como “King Of Pain”, “Synchronicity II” e a canção mais famosa do grupo: “Every Breath You Take”. Os outros discos não têm a mesma consistência, mas oferecem músicas interessantes e lançaram alguns outros hits, como “Message In A Bottle”, “Walking In The Moon”, “Every Little Thing She Does Is Magic” e a inesquecível “Roxanne”.
 The Police está longe de ser uma unanimidade, apesar de vários sucessos lembrados até hoje, muita gente no Brasil não curte o som dos caras. Acho que o que distanciou a banda da aclamação total nos dias de hoje foi que eles não eram totalmente do rock, pois incluíram elementos do reggae, jazz, punk e pop, e isso não agradava muito o pessoal que curtia as bandas de rock que se consagraram nos anos 60 e 70. Mas talvez não tenha sido esse o motivo, não posso dizer ao certo. A curta duração do grupo também dificultou uma maior repercussão, foram apenas sete anos, e mesmo que sejam lembrados até hoje o The Police não está incluído nas listas de melhores bandas de todos os tempos.
Em 2007, o grupo anunciou sua volta com uma turnê que durou até o ano seguinte passando pelo Brasil com um show no Maracanã que como disse, estava presente. Infelizmente, nesta retomada não ouve nenhum álbum novo, nem um single.  Copeland afirmou que a banda nunca mais se reunirá, para minha tristeza, mas pelo menos os caras deixaram um material que indico ser ouvido!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Dica de filme: 4 meses, 3 semanas e 2 dias


Amigos, tinha dito que a seção “Dica de filme” seria feita aos sábados, mas amanhã vou viajar e só volto na segunda-feira e por isso faço este post hoje. Minha dica vem da Romênia, com o interessante e premiado filme “4 meses, 3 semanas e 2 dias”. Nunca imaginei que um dia iria assistir a esse filme, mas o momento venho, quando eu cursava a disciplina “Ficción Audiovisual” (Ficção Audiovisual) na Universidade de Coruña, na Espanha, no tempo em que estudei lá por meio de um intercâmbio da UFRJ. Nesta disciplina, víamos produções de diferentes países e por ali que vi pela primeira vez um filme romeno.
 O longa-metragem, lançado em 2007 e dirigido por Cristian Mungiu, é ambientado na Romênia no fim dos anos 80 quando a ditadura de Nicolae Ceausescu estava terminando. Conta a história de duas amigas, Otilia  e Gabita, que dividem um quarto de alojamento na universidade. Gabita está grávida e conta com a ajuda de Otilia para tentar realizar um aborto, algo ilegal no país.  Por isso, reservam um quarto de hotel onde recebem um tal de Sr Bebe para fazer o trabalho. Quando se encontram para iniciar o serviço, Bebe descobre que a gravidez de Gabita está mais adiantada do que o informado, e por isso o homem cobra algo a mais do que o estabelecido para as moças, cobra algo que elas não esperavam.
                 O curioso do filme é que a protagonista da história é a personagem não que está grávida, Otilia, que além de tentar ajudar a amiga ainda enfrenta as dificuldades de um relacionamento com um jovem rapaz. O filme foi premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2007 e vale muito a pena ver!


                                         
Foto: Wikipédia

sábado, 31 de janeiro de 2015

Dica de Filme do blog: Boyhood, a primeira sugestão!!

                                                
                                    Foto: Wikipédia


 Amigos, aos poucos vou voltando a atualizar o blog, mas ainda não há uma regularidade, porque um novo conteúdo depende muito da minha inspiração para escrever textos próprios, e por isso não há posts diários ou semanais. Acho que se depender de minha inspiração, não haverá uma frequência certa, por isso decidi reservar um espaço para dicas, de cinema, literatura, música e por aí vai. Minha primeira ideia sobre esta nova seção é falar de cinema, e de produções que me marcaram e que acho válido compartilhar aqui com os leitores. Todo sábado vou falar de um filme, e como a sétima arte é um assunto muito extenso, acho que esta seção vai durar muito.
 O primeiro da lista de sugestões é uma produção recente e original, e considerado um dos melhores filmes de 2014: "Boyhood", dirigido por Richard Linklater. Recomendo este longa-metragem mais pela maneira como foi feito do que pela história em si. Foi filmado entre 2002 e 2013 e acompanha o crescimento do garoto Mason (interpretado por Ellar Coltrane) dos seus 6 até 18 anos, e conta também no elenco com a filha do diretor, Lorelei Linklater, no papel da irmã mais velha de Mason, Patricia Arquette (protagonista da série “Medium”) no papel da mãe do garoto e Ethan Hawke no papel do pai.
Um fator interessante da produção é que não existem marcações temporais avisando qual o ano ou qual idade do protagonista. O público percebe a passagem do tempo por meio das transformações na aparência de Mason e de sua irmã. Outra forma de perceber essas passagens são as músicas tocadas ou filmes citados. Em 2002, a trilha sonora passa por músicas como "Anthem Part II", do Blink 182, ou "Yellow" do Coldplay, em 2010 toca “Telephone” de Lady Gaga e Beyoncé ou “Somebody that I used to know”, de Gotye e Kimbra. Em 2009, podemos deduzir o ano pela conversa sobre o filme “Trovão Tropical”.
 A história em si como disse não é nada original, mostra os problemas e momentos felizes da infância e adolescência. Desde o início, os pais de Mason são separados e ele tem que lidar quando criança com um padrasto chato, mandão e que tem problemas com a bebida. Quando adolescente, sua mãe se casa com um ex-militar um pouco preconceituoso e que gosta de estabelecer regras. A história não chega a ter um antagonista, mas os padrastos é que mais trazem angústia e irritação ao protagonista.
Ellar Coltrane disse em entrevista que não lembra de ter filmado as cenas de "Boyhood" quando tinha 6 anos. Os cortes de cabelo foram definidos pelo próprio ator, e que todas as outras mudanças em sua figura, como furos na orelha, tiveram a permissão do diretor que disse que Coltrane tinha liberdade de fazer o que quiser com sua aparência.
                O filme foi muito aclamado pela crítica e foi o principal vencedor do Globo de Ouro 2015, ganhando nas categorias melhor drama, melhor diretor e melhor atriz coadjuvante para Patricia Arquette. No Festival de Berlim 2014, ganhou o prêmio de melhor diretor e no Critics Choice Awards 2015 ganhou na categoria melhor diretor, melhor ator revelação (Ellar Coltrane) e melhor atriz coadjuvante novamente para Arquette. Com toda essa repercussão, vale a pena ver, não deixe de conferir!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Van Halen, a minha bola da vez!

Acho que todo mundo tem uma banda "do momento", ou seja, que você está escutando mais em um determinado período. Algumas canções desse conjunto  “do seu momento” você bota para tocar várias vezes ao dia, não consegue parar de ouvir. No meu caso, a bola da vez é um conjunto muito conhecido e muito bom: Van Halen! A banda de hard-rock foi formada em 1974 na Califórnia pelos irmãos Alex Van Halen (bateria) e o gênio fodástico Eddie Van Halen (guitarra), além de Michael Anthony (baixo) e David Lee Roth (vocal). O álbum de estreia, “Van Halen”, de 1978, já foi um sucesso, mas chamo a atenção principalmente para outro trabalho, um dos CDs mais bem-sucedido da banda em termos de crítica e venda:  “1984”, lançado em 1984 e que tem as ótimas canções “Jump”, “Panama”, “Hot for Teacher” e “I´ll Wait”. 
Também em 1984 Eddie Van Halen e David Lee Roth se desentenderam e o vocalista deixou a banda, sendo substituído no ano seguinte por Sammy Hagar. Mesmo com a mudança, Van Halen seguiu sua trajetória bem-sucedida com o público e comercial, o primeiro álbum com  Hagar, "5150", de 1986, foi o primeiro do grupo a chegar ao topo do ranking de vendas. Com este vocalista, destaco as músicas “Dreams”, “Top of the world” e “Poundcake”. O talento de Hagar é inegável como cantor e ele tinha muito carisma com o público, mas o problema é que com a mudança de vocal o som do Van Halen ficou mais “meloso”. Perdeu um pouco a essência vibrante de antes, e as canções eram mais paradas, menos contagiantes, mais baladas e menos rock. Em 1996, por divergências com outros integrantes, Hagar deixou o Van Halen.
No mesmo ano, Roth se reuniu com a banda e gravou duas músicas, mas depois de uma discussão com Eddie no MTV Music Video Awards, foi anulada qualquer possibilidade de volta do primeiro vocalista naquele momento. Gary Cherone foi anunciado como novo cantor, mas não deu certo, e eu nunca tive muita paciência para ouvir alguma coisa dele com o Van Halen. Com esse vocalista, lançaram o álbum Van Halen III, em 1998, um fracasso comercial, e no mesmo ano Cherone deixou a banda.
Após esta saída, houve algumas reuniões, mas em 2005 o baixista Michael Anthony deixou o grupo e para seu lugar entrou, em 2006, o filho de Eddie Van Halen, Wolfgang Van Halen, que na época só tinha 15 anos!  Em 2007 anunciam uma nova turnê com David Lee Roth de volta, e em 2012 lançam um novo álbum depois de 14 anos, intitulado “A Different Kind of Truth”, do qual eu gostei muito, conseguiram retomar o hard rock empolgante do começo, destaque para as faixas “She´s The Woman” e “China Town”.
Na torcida para que os caras algum dia voltem para o Brasil. A única vez que vieram para o País foi em janeiro de 1983, eu não era nem nascido. Quando minha bola da vez na música mudar eu posto aqui qual é a banda.

                                   
1ª formação do Van Halen, da esquerda para direita: Eddie Van Halen, David Lee Roth, Michael Anthony e Alex Van Halen. Foto: renovasonline.com
Formação atual do Van Halen, da esquerda para direita: Alex Van Halen, David Lee Roth, Eddie e Wolfgang Van Halen. Foto: Rolling Stone


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O vício



                                Foto: Wikipédia


Será que todos temos vício? Talvez. Antes me orgulhava de não ter algum daqueles vícios nocivos, como cigarro, bebida, drogas. Nunca fumei cigarro na vida, beber eu bebo, mas só fim de semana, ou quando vou num barzinho, raramente ingiro bebida alcoólica em casa. Drogas? Jamais. Ficava bem quando lembrava que não tinha essas rotinas. Mas na verdade tenho: o açúcar. Esse é um vício. Se tiver algum chocolate, biscoito, bolo, doce em casa, era difícil me controlar. Tenho conseguido me segurar mais atualmente, antes devorava rápido . Mesmo assim , não me curei do vício, porque a vontade está na sua mente e não só em suas ações. Meu desejo por doces nunca vai acabar, ou será que vai?
Com as bebidas doces, também há um vício. Já bebi muita Coca-Cola, refrigerantes em geral, gosto daquele Mate Leão de garrafa que é muitíssimo doce, além desses sucos de caixa e Guaravita. Mas, voltando ao refrigerante, era uma fixação, mas consegui diminuir. Agora só em reuniões familiares e tal. Não que eu tenha parado totalmente de beber Coca-Cola, Guaraná Antártica e tal, mas não vou ser aquele que vou comprar ou que vou pedir, porém, se me oferecerem, acho difícil recusar, como disse, os vícios estão na sua mente e não em suas ações.
 Voltando ao outro pensamento, antes me orgulhava de não ter nenhum vício nocivo: cigarros, bebida, drogas. Mas o consumo de muito açúcar também pode ser danoso, não faz bem para saúde, pode-se pagar a conta lá na frente. Vou tentar diminuir, mas não totalmente, o que será será....

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pra que...se lamentar....

                                           
http://thorapourenfant.blogspot.com.br/


                  Lamentos. Antes já fiz muitos, hoje me arrependo.  Não exaltava a vida que tinha, ter comida na mesa, cama para dormir, escola boa para estudar. Não me importava com isso, queria mais,  muito mais do que tinha, mas o que eu tinha já era muito. Hoje, sei que estava errado, me arrependo destas reclamações, hoje não gosto de reclamar da vida, de me lamentar, tenho mesmo é que correr atrás. Quem pode se lamentar é quem não tem nada, que não tem o que comer, que vive no meio do tiro cruzado, que não tem pai nem mãe, que vive em meio a guerras, tragédias, doenças, miséria e fome. Com tanta gente assim , eu me sinto sem nenhum motivo para reclamar. Reclamar para que? Tenho é que correr atrás, superar minhas preguiças.
         Uma vez fui compartilhar este meu pensamento com outras pessoas de classe média. Elas reclamavam muito da vida. Disse que não deviam reclamar. Elas não gostaram do meu comentário, ficaram irritadas. Será que sempre devemos falar o que pensamos, ou, para evitar confusões, não devemos falar? Naquela hora falei, e o comentário quase que estragou a noite.
           Há muito tempo atrás, me lamentava das coisas que não tinha. Mas nunca lamentei sobre a minha pessoa.  Tenho vários defeitos, mas nunca me lamentei de quem eu sou. Muitas pessoas fazem isso, gostam de se lamentar sobre eles mesmos,  querem falar que são piores. Eu mesmo me sinto pior várias vezes, mas nunca me lamento. Sentiria-me mal se fizesse. Não queria que ninguém me consolasse após esses lamentos.  E para os que se lamentam, acho que o mundo é muito cruel para ouvi-los. Há pessoas do bem, mas há pessoas ruins que sempre irão zombar das reclamações. Não peça por pena, porque dificilmente você vai conseguir.
        Para mim, não tenho muito o que lamentar, mas agora também não tenho muito o que me gabar, vida que segue.