sábado, 19 de dezembro de 2015

Técnicos de futebol e os diretores de cinema

                                  Fotos: http://spfc.terra.com.br/ e Wikipedia



Há tempos que venho pensando em uma certa semelhança entre estas profissões. São de áreas distintas e que garantem muita emoção e entretenimento a fiéis seguidores. Tanto os treinadores de futebol quanto os cineastas não têm um trabalho fixo, e sim um emprego temporário em um filme ou clube.  Em alguns momentos, pela boa fase que passam, nunca vai faltar oportunidades. Em outras ocasiões,  podem ser esquecidos e não são nem de longe a primeira opção de grandes estúdios ou equipes do esporte bretão.
Uma enorme semelhança entre estas duas funções é a pressão que todos sofrem e a responsabilidade que têm. Os técnicos são os grandes culpados nas derrotas, e, especialmente no Brasil, se não conseguem alguma vitória em três jogos já começa a especulação sobre sua saída. No cinema, a direção é o cargo mais importante e não pode ser entregue a qualquer um. Há também outras funções essenciais, como os produtores, roteiristas, atores mas quem irá comandar tudo é o diretor. Por isso, Martin Scorsese, José Padilha, George Lucas, entre outros, sempre levam os méritos ou a culpa pelos resultados da bilheteria. Na Sétima Arte, os realizadores são muito supervalorizados quando o longa ou curta-metragem tem uma boa recepção e os críticos e público se esquecem de elogiar outros departamentos. Acredito que a pressão que os cineastas sofrem é algo mais comum em Hollywood, terra dos enormes orçamentos, e lá todo esse dinheiro tem que render mais dinheiro.
Pensando agora em exemplos específicos de cada área que se assemelham, me vem na cabeça os nomes de Vanderlei Luxemburgo e Steven Spielberg.  Penso nestes muito pelo dinheiro. Spielberg conseguiu que muitas de suas realizações alcançassem gigantescos faturamentos. Sobre o Luxemburgo, pensei neste por ser um dos primeiros técnicos no Brasil a ganhar salários exorbitantes, além de sempre usar ternos luxuosos ao comandar suas equipes. Os dois para mim representam a fartura de dinheiro em suas respectivas áreas. Porém, há diferenças de como é feita a cobrança nestas profissões. No futebol só a vitória é que interessa, algumas vezes o empate pode ser um bom resultado mas não costuma ser. Um filme pode ser considerado bom por alguns, péssimo por outros, e não será considerado ruim por alguém só porque não teve uma boa bilheteria. Por isso é importante ressaltar que a derrota para um cineasta é bem mais difícil do que para um técnico. Nos últimos anos, Luxemburgo não tem mais conseguido os títulos e vitórias de antes e por isso considero que sua carreira entrou em declínio. Spielberg nos últimos anos não fez filmes tão bons quanto antes mas isso não quer dizer que este também entrou em um declínio, até porque em suas mais recentes produções sempre há pontos positivos: planos, direção de atores.
Podemos citar outras semelhanças:  Rinus Michels, com suas inovações táticas, especialmente na Seleção Holandesa de 1974, com grandes cineastas que trouxeram novas experimentações na tela: Glauber Rocha, Jean-Luc Godard e Federico Fellini.  Ou Luiz Felipe Scolari, que teve uma trajetória vitoriosa mas sempre foi conhecido pelo futebol força, comandando equipes que se importavam mais com o resultado do que jogar bonito. Acho que este treinador se assemelha com Terrence Malick, cineasta norte-americano que em mais de 40 anos de carreira só dirigiu sete longas-metragens. Malick é conhecido por não se preocupar muito em fazer filmes comerciais. Destaco deste as produções “A Árvore da Vida” (2011) e “ Cinzas no Paraíso” (1978). Ou seja, Malick e Felipão se parecem porque não se importam muito com o que o público vai pensar, focam mais no resultado do que na reação.
Tantos os técnicos quantos os diretores se reinventam constantemente, que mudanças vamos ver em 2016?

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