Há tempos que
venho pensando em uma certa semelhança entre estas profissões. São de áreas distintas e que
garantem muita emoção e entretenimento a fiéis seguidores. Tanto os treinadores
de futebol quanto os cineastas não têm um trabalho fixo, e sim um emprego
temporário em um filme ou clube. Em alguns
momentos, pela boa fase que passam, nunca vai faltar oportunidades. Em outras
ocasiões, podem ser esquecidos e não são
nem de longe a primeira opção de grandes estúdios ou equipes do esporte bretão.
Uma enorme
semelhança entre estas duas funções é a pressão que todos sofrem e a
responsabilidade que têm. Os técnicos são os grandes culpados nas derrotas, e,
especialmente no Brasil, se não conseguem alguma vitória em três jogos já
começa a especulação sobre sua saída. No cinema, a direção é o cargo mais
importante e não pode ser entregue a qualquer um. Há também outras funções
essenciais, como os produtores, roteiristas, atores mas quem irá comandar tudo
é o diretor. Por isso, Martin Scorsese, José Padilha, George Lucas, entre
outros, sempre levam os méritos ou a culpa pelos resultados da bilheteria. Na
Sétima Arte, os realizadores são muito supervalorizados quando o longa ou
curta-metragem tem uma boa recepção e os críticos e público se esquecem de
elogiar outros departamentos. Acredito que a pressão que os cineastas sofrem é
algo mais comum em Hollywood, terra dos enormes orçamentos, e lá todo esse
dinheiro tem que render mais dinheiro.
Pensando agora
em exemplos específicos de cada área que se assemelham, me vem na cabeça os nomes de Vanderlei Luxemburgo e Steven Spielberg.
Penso nestes muito pelo dinheiro. Spielberg conseguiu que muitas de suas
realizações alcançassem gigantescos faturamentos. Sobre o Luxemburgo, pensei
neste por ser um dos primeiros técnicos no Brasil a ganhar salários
exorbitantes, além de sempre usar ternos luxuosos ao comandar suas equipes. Os
dois para mim representam a fartura de dinheiro em suas respectivas áreas.
Porém, há diferenças de como é feita a cobrança nestas profissões. No futebol só
a vitória é que interessa, algumas vezes o empate pode ser um bom resultado mas
não costuma ser. Um filme pode ser considerado bom por alguns, péssimo por
outros, e não será considerado ruim por alguém só porque não teve uma boa
bilheteria. Por isso é importante ressaltar que a derrota para um cineasta é
bem mais difícil do que para um técnico. Nos últimos anos, Luxemburgo não tem
mais conseguido os títulos e vitórias de antes e por isso considero que sua
carreira entrou em declínio. Spielberg nos últimos anos não fez filmes tão bons
quanto antes mas isso não quer dizer que este também entrou em um declínio, até
porque em suas mais recentes produções sempre há pontos positivos: planos,
direção de atores.
Podemos citar
outras semelhanças: Rinus Michels, com
suas inovações táticas, especialmente na Seleção Holandesa de 1974, com grandes
cineastas que trouxeram novas experimentações na tela: Glauber Rocha, Jean-Luc
Godard e Federico Fellini. Ou Luiz
Felipe Scolari, que teve uma trajetória vitoriosa mas sempre foi conhecido pelo
futebol força, comandando equipes que se importavam mais com o resultado do que
jogar bonito. Acho que este treinador se assemelha com Terrence Malick,
cineasta norte-americano que em mais de 40 anos de carreira só dirigiu sete longas-metragens. Malick é conhecido por não se preocupar muito em fazer filmes
comerciais. Destaco deste as produções “A Árvore da Vida” (2011) e “ Cinzas no
Paraíso” (1978). Ou seja, Malick e Felipão se parecem porque não se importam
muito com o que o público vai pensar, focam mais no resultado do que na reação.
Tantos os
técnicos quantos os diretores se reinventam constantemente, que mudanças vamos
ver em 2016?

Gostei da comparação, é uma boa maneira de refletir.
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