segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os não embalos de um domingo à noite


O clima no Rio de Janeiro está muito louco. O mês de abril, que costuma ser mais ameno, está muito quente e o calor parecia que não iria acabar.  Na semana passada, por um milagre de deus, chegou uma frente fria que congelou a cidade. Congelou bastante. Em um piscar de olhos, todos estavam usando casacos, calças, gorros e camisas de manga longa. Hoje, segunda-feira 2 de maio, o dia amanheceu mais quente, talvez as baixas temperaturas já estejam indo embora. Ontem pela noite, tudo ainda estava gelado. Veio novamente uma tríade angustiante: domingo, noite e frio.
Nunca gostei do domingo. É o momento que antecede a volta de tudo. É o momento de tensão porque a folga já acabou e amanhã tudo retorna. Seja escola, trabalho, faculdade. Sábado é o meu dia predileto porque amanhã não tenho que me preocupar com nada, posso acordar a hora que quiser e pronto.  Hoje estou desempregado, mas mesmo assim, nos dias de semana, tenho a sensação que tenho que me movimentar, não posso relaxar. É hora de pensar, idealizar, procurar emprego ou algo que me tire da situação que estou. Atualmente estou fazendo três cursos, não estou parado, mas não estar trabalhando sempre é um tormento, muito é claro pela falta de dinheiro e a consequente dependência em relação aos pais. Ontem (domingo) foi um dia para não me esforçar, por isso assisti House of Cards, Game of Thrones e li um livro. Pela noite, o frio intensificava a angústia da volta. Da volta de estar ativo, de ter que tentar encontrar algo que possa me tirar da situação de desempregado, seja no envio de um currículo, seja na construção de um roteiro ou leitura de um edital da Ancine.
Essa angústia não nos faz pensar apenas no presente, mas ter saudade de um passado em que as preocupações eram menores, principalmente a infância. E pensar em um futuro que as coisas vão melhorar. O frio me traz uma sensação tensa talvez porque torna as coisas menos movimentadas, mais paradas, como se congelassem. Falta de movimento traz a falta de perspectiva, e o que mais precisamos é perspectiva para buscar o que queremos na segunda-feira.
Até que nesta segunda-feira me sinto melhor, porque escrevi esse texto que me fez bem. Mas, após esse novo post, volta à busca, o movimento, bom que hoje o sol veio para me ajudar.

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