domingo, 25 de setembro de 2016

Noites no ônibus



Um prazer que tenho que talvez outros considerem estranho é o de, quando voltar para casa de noite, voltar de ônibus vazio. Esse retorno nesse transporte é um bom momento para reflexão contínua, e é melhor com poucos passageiros para que nenhum zunido atrapalhe os pensamentos. Aí você pode estranhar eu dizer isso pois o ônibus tem um forte barulho quando se locomove. Porém, já sou tão acostumado com o som desse motor que nem ligo. Vou te dizer que, só para me distrair, gosto de lembrar de situações engraçadas, e até posso rir sozinho sem problemas, porque se não tem muita gente no veículo, poucos vão notar o que estou fazendo. Quando alguém, desacompanhado, ri na calçada, shopping ou em um ônibus cheio, mesmo que seja comedido, já é visto como estranho, um louco, alguém que você deve manter alguma distância. Eu não vejo dessa forma, acho que rir sozinho pode ser uma maneira de se entreter, é só não ser espalhafatoso para não atrapalhar ninguém.
Você pode argumentar que há outros meios de transporte como o metrô, táxi ou Uber, mas nenhum deles me traz a boa sensação do ônibus. No metrô, não se pode abrir a janela e não vai ter nenhuma vista bonita e nem vento bom na cara. Táxi e Uber são mais rápidos e confortáveis, mas, por estar só com o motorista, não tenho a privacidade que teria voltando em uma linha 409 com poucos passageiros.
Aos poucos, vamos descobrindo que a vida é feita de pequenos prazeres, que podem ser estranhos para os outros, mas, se para nós é prazer, devemos aproveitá-los, porque se não, fica difícil viver.


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