Depois de muito tempo ausente, comecei novamente a frequentar jogos de futebol. A arquibancada continua a mesma. Muitos insultos, gritos, comemorações, piadas, risos, cantos, emoções, alegrias e tristezas. Pessoas calmas em seu cotidiano se transformam quando torcem para o seu clube. Há o prazer de xingar, seja quem for. Se o time perder, sempre haverá um culpado: jogadores, árbitro ou treinador. Não se pode negar que há muita raiva emitida nos estádios, é o local onde o povo gosta de esbravejar.
Um dos fatos mais
curiosos disso é a altura dos gritos. Xingamentos atingem agudos
impressionantes, talvez mais do que Pavarotti. Será que este já falecido
tenor italiano conseguiria gritar “filho da ...” em um agudo tão forte como um
torcedor furioso do Botafogo? Será que o
famoso tenor espanhol Plácido Domingo conseguiria gritar um “toma no ...” como
um raivoso torcedor do Flamengo? Acho que não, as arquibancadas brasileiras são
formadoras de agudos insuperáveis de tenores desbocados.
Se um cantor do naipe
baixo, com uma voz muito grave, entrasse no estádio e começasse a desferir
xingamentos não seria a mesma coisa. A voz ficaria na arquibancada, e não
atingiria os sofridos tímpanos dos bandeirinhas, os que mais sofrem pelos insultos. Quando se trata de alcance, os tenores das arquibancadas são
insuperáveis, você que já foi em algum jogo de futebol deve notar que sempre há
um deles na torcida.
O futebol cria
personagens, como jogadores, juízes, técnicos, dirigentes e é claro, os
torcedores. Há torcedores que se fantasiam, que criam músicas, que pulam, que
dançam e os tenores, sempre desbocados, mas que sempre estarão ali, apoiando o
seu clube.

E o narrador das notas dos desfiles de escola de samba é o que? Contralto? Haha belo Post Thor, continue assim :)
ResponderExcluirObrigado Leandro!!
ExcluirMuito bom!!!!!
ResponderExcluirObrigado Helena!
ExcluirMuito bom!!!!!
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