sábado, 17 de setembro de 2016

Tenores desbocados

                                                          Foto: uol.esporte.com.br


           Depois de muito tempo ausente, comecei novamente a frequentar jogos de futebol. A arquibancada continua a mesma. Muitos insultos, gritos, comemorações, piadas, risos, cantos, emoções, alegrias e tristezas.  Pessoas calmas em seu cotidiano se transformam quando torcem para o seu clube. Há o prazer de xingar, seja quem for. Se o time perder, sempre haverá um culpado: jogadores, árbitro ou treinador. Não se pode negar que há muita raiva emitida nos estádios, é o local onde o povo gosta de esbravejar.
Um dos fatos mais curiosos disso é a altura dos gritos. Xingamentos atingem agudos impressionantes, talvez mais do que Pavarotti. Será que este já falecido tenor italiano conseguiria gritar “filho da ...” em um agudo tão forte como um torcedor furioso do Botafogo?  Será que o famoso tenor espanhol Plácido Domingo conseguiria gritar um “toma no ...” como um raivoso torcedor do Flamengo? Acho que não, as arquibancadas brasileiras são formadoras de agudos insuperáveis de tenores desbocados.
Se um cantor do naipe baixo, com uma voz muito grave, entrasse no estádio e começasse a desferir xingamentos não seria a mesma coisa. A voz ficaria na arquibancada, e não atingiria os sofridos tímpanos dos bandeirinhas, os que mais sofrem pelos insultos. Quando se trata de alcance, os tenores das arquibancadas são insuperáveis, você que já foi em algum jogo de futebol deve notar que sempre há um deles na torcida.
O futebol cria personagens, como jogadores, juízes, técnicos, dirigentes e é claro, os torcedores. Há torcedores que se fantasiam, que criam músicas, que pulam, que dançam e os tenores, sempre desbocados, mas que sempre estarão ali, apoiando o seu clube. 

5 comentários: