segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Generalizações e superficialidade


     Tome cuidado com as generalizações. Não é porque um argentino é chato, ou babaca, ou mau-caráter ou porque faz catimba no futebol que todos os nascidos nesse país também vão ter essas características. Aliás, me incomoda todo esse preconceito e estigma contra nossos vizinhos. Não é porque uma pessoa de um tal lugar tem um defeito que todos os seus conterrâneos vão ter.  Não é porque alguém tem uma opinião que outros vão ter a mesma.
     Vou dar um exemplo. Morei na Espanha por seis meses e lá conversei muito sobre cinema.  Conheci uns três que não gostavam do Almodóvar. Como isso é possível?? Eu acho ele um dos melhores cineastas de todos os tempos e no Brasil muita gente gosta dele. Eu fiquei surpreso por essa opinião que ouvi por bandas ibéricas, poderia muito bem falar que o povo da língua castelhana não gosta do diretor de “Fale com Ela”, mas será que só três opiniões vão ditar tudo? Refleti, e achei melhor dizer que ouvi pensamentos pouco favoráveis ao Almodóvar, mas não que toda a Espanha desaprova seu próprio artista. Até porque nunca se fez uma pesquisa do Ibope sobre o assunto.
      Essas  generalizações são comuns. Ao pensar em uma pessoa, a lembrança sobre sua opinião, hábito e maneira de se vestir já é estendida para todo um povo de um país, estado ou cidade.  Acho melhor não fazer assim, cada um é cada um, e pode ter pensamentos e características diferentes do comum.
     Outra coisa um pouco semelhante às generalizações são a superficialidade quando se fala de conhecimento. Superficialidade é  não se aprofundar sobre uma questão e ao debater sobre ela,  o indivíduo reproduz coisas que “ouviu por aí” ou que subentendeu sem nem ter pesquisado nada. Vejo esta pouca compreensão semelhante às generalizações porque em ambos os casos, você pega um fato e já o prolonga para um todo, sem mesmo se dar o trabalho de ouvir ou pesquisar mais.
     Quando um assunto está em pauta, tente saber mais, não saia copiando falas de outros, crie você mesmo uma opinião. Não estou querendo neste post me referir a qualquer tema que esteja em foco em manchetes dos jornais. Só digo isso para que quando alguém entrar em um debate, seja em uma festa, universidade, rua, reunião de família ou em uma palestra, saiba se impor com ideias  e não se basear apenas em frases curtas  que “escutou por aí”. Dessa forma, pode ser massacrado pelo outro lado,se este possuir um ponto de vista com dados e estatísticas consistentes.
     Logo, o que mais quero dizer neste post é: se quer formar uma opinião, pesquise mais, leia mais e traga argumentos, e não apenas falas curtas e com pouca profundidade.    

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Brisa de uma alegria



     Acho que para muitos a vida pode ser uma balança entre otimismo e pessimismo, ou entre positividade e negatividade.  Pelo menos para mim é assim.  Acredito ser mas pessimista do que otimista, sou uma pessoa muito agoniada, com mais incertezas do que esperanças percorrendo a mente.  Quando alguma coisa dá certo, vem um pensamento positivo e parece que outras coisas, sem relação nenhuma com a que deu certo, vão ficar bem e todos os problemas vão se resolver. Mas, como disse antes, sou mais pessimista, e fico mais na paranoia do que na esperança, coração mais acelerado do que tranquilo. Estou tentando melhorar isso, e um dia chego lá!
     Nessa semana o tempo no Rio de Janeiro é chuvoso, frio, e com isso vem uma gama diferente de sensações. Às vezes, a chuva me dá um sentimento de tranquilidade em meio ao nervosismo, mas é um pensamento meio louco: como se tudo fosse ficar melhor porque os pingos iriam diminuir o ritmo da cidade, como se todos fossem parar e não sair de suas casas por causa da água. E se ninguém sai de casa, não devo me preocupar com nada, tudo vai ficar parado e não há razão para ficar angustiado. É um pensamento louco, eu sei, mas pode ajudar.
     Porém, a chuva também traz agonia, principalmente nos domingos chuvosos e friorentos (como já escrevi em outro texto deste blog). A tensão pelo início de mais uma semana é aumentada pelo tempo gelado que espalha meu pessimismo e só com muito sol no dia seguinte para melhorar.
     O sentimento positivo mais gostoso é aquele que surge na adversidade.  Quando pensamos que tudo vai dar errado, inesperadamente chega uma sensação boa que toma o corpo e dali achamos que as coisas vão ficar bem. Estar bem em momentos ruins é uma sensação que, pelo menos para mim, é bem rápida, e logo volta a reinar o pessimismo. 
     Neste atual clima polar carioca, vieram as brisas, essas sim, causadoras de uma felicidade. Toda vez que vem uma brisa na cara, a sensação é boa.  No verão a brisa é como água no deserto, como fogueira na Antártica, garante um tempinho de felicidade em meio a tanto caos. Brisa na cara é uma alegria, pelo menos para mim.
     Vamos ver por quanto tempo dura esse frio. Como disse antes, baixas temperaturas dividem meus sentimentos, mas agora estou gostando desse clima. Só não queria tanta chuva, para de cair gota!