domingo, 11 de dezembro de 2016

O suave grito de uma vitória



Não queria escrever sobre futebol, durante um período era um assunto recorrente neste blog, por isso evitava falar para não ficar repetitivo. Há algum tempo que não estou muito ligado no esporte bretão, mas como hoje foi a última rodada do Campeonato Brasileiro e esse tema está em foco, vieram algumas lembranças na minha cabeça que quis compartilhar.
Sou botafoguense, minoria, que se nota não apenas quando você vai ao estádio e vê que a torcida rival está mais presente.  Ou não se nota apenas quando você lembra que tinha poucos colegas na escola que torciam para o mesmo time. Mas também percebe-se pelo número de gritos que você ouve de sua casa quando seu clube marca um gol. Quando é gol do Flamengo, aqui onde eu moro, é uma gritaria irritante, parece uma conglomeração de hunos urrando após uma vitória ou ao atacar um inimigo. Quando é gol do Vasco, Botafogo ou Fluminense, os gritos são curtos, longínquos, quase não se escuta.
Lembro que, há uns dez anos atrás,  quando o jogo era Botafogo X Flamengo, era muito difícil não saber o placar. Na época não tínhamos pay per view, e como esse clássico era sempre realizado no Rio de Janeiro, a única maneira de acompanhar era pelo rádio. Porém, eu ficava muito nervoso com futebol e o rádio só piorava com aquela narração acelerada e por isso não gostava de ligar esse aparelho. O jeito era esperar o término da partida, mas quando o gol era do Flamengo, era impossível não saber pois surgia uma multidão de gritos hunos rubro-negros que tomavam conta do ambiente sonoro. Quando a vitória era do Botafogo, ela vinha suave, com apenas um grito, longínquo, lembrava um pedido de S.O.S bem distante, quase imperceptível, tinha que correr para conseguir escutar,  parecia uma mensagem secreta que dizia “fogo, fogo, fogo”.  
Hoje, última jornada do Brasileirão, o Botafogo precisava vencer os reservas do Grêmio em Porto Alegre para garantir a vaga na Pré-Libertadores da América 2017. Para os gremistas, a partida seria disputada em clima de festa, pois seu time acabou de conquistar o quinto título da Copa do Brasil, tornando-se o maior vencedor desta competição, além de que seu maior rival Internacional estava sendo rebaixado para a Série B. Quando vi que o relógio marcava 18h55, imaginei que a rodada estava tendo seu desfecho. Então, lá de longe, bem de longe, conseguia escutar novamente aquela mensagem quase secreta que gritava: “fogo, fogo, fogo”. O alvinegro venceu os gaúchos por 1 a 0 e conquistou seu lugar na Pré-Libertadores. Parabéns a equipe, e sorte no ano que vem!