Não queria escrever sobre
futebol, durante um período era um assunto recorrente neste blog, por isso evitava
falar para não ficar repetitivo. Há algum tempo que não estou muito ligado no
esporte bretão, mas como hoje foi a última rodada do Campeonato Brasileiro e
esse tema está em foco, vieram algumas lembranças na minha cabeça que quis
compartilhar.
Sou botafoguense, minoria, que se
nota não apenas quando você vai ao estádio e vê que a torcida rival está mais
presente. Ou não se nota apenas quando
você lembra que tinha poucos colegas na escola que torciam para o mesmo time.
Mas também percebe-se pelo número de gritos que você ouve de sua casa quando seu clube marca um gol. Quando é gol do Flamengo, aqui onde eu moro, é uma gritaria
irritante, parece uma conglomeração de hunos urrando após uma vitória ou ao
atacar um inimigo. Quando é gol do Vasco, Botafogo ou Fluminense, os gritos são
curtos, longínquos, quase não se escuta.
Lembro que, há uns dez anos atrás, quando o jogo era
Botafogo X Flamengo, era muito difícil não saber o placar. Na época não tínhamos pay per view, e como esse clássico era sempre realizado no Rio de
Janeiro, a única maneira de acompanhar era pelo rádio. Porém, eu ficava muito nervoso com futebol e o
rádio só piorava com aquela narração acelerada e por isso não gostava de ligar
esse aparelho. O jeito era esperar o término da partida, mas quando o gol era
do Flamengo, era impossível não saber pois surgia uma multidão de gritos hunos
rubro-negros que tomavam conta do ambiente sonoro. Quando a vitória era do
Botafogo, ela vinha suave, com apenas um grito, longínquo, lembrava um pedido
de S.O.S bem distante, quase imperceptível, tinha que correr para conseguir
escutar, parecia uma mensagem secreta que
dizia “fogo, fogo, fogo”.
Hoje, última jornada do
Brasileirão, o Botafogo precisava vencer os reservas do Grêmio em Porto Alegre para garantir
a vaga na Pré-Libertadores da América 2017. Para os gremistas, a partida seria
disputada em clima de festa, pois seu time acabou de conquistar o quinto título
da Copa do Brasil, tornando-se o maior vencedor desta competição, além de que
seu maior rival Internacional estava sendo rebaixado para a Série B. Quando vi que o relógio marcava 18h55,
imaginei que a rodada estava tendo seu desfecho. Então, lá de longe, bem de
longe, conseguia escutar novamente aquela mensagem quase secreta que gritava: “fogo,
fogo, fogo”. O alvinegro venceu os gaúchos por 1 a 0 e conquistou seu lugar na
Pré-Libertadores. Parabéns a equipe, e sorte no ano que vem!
