quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Explosão desenfreada


                 
Os leitores desse blog vão estranhar, mas me lembrei e vou escrever sobre  um jogo de quase três anos atrás, mas que marcou a memória de muitos. Não sou tricolor, mas veio na minha cabeça aquele Fluminense X São Paulo no Maracanã pelas quartas-de-final da Taça Libertadores 2008. Com um gol de Washington de cabeça aos 48 do segundo tempo, o time das Laranjeiras venceu a partida por 3 a 1 e reverteu a vantagem do adversário paulista, que havia vencido o jogo de ida por 1 a 0 no Morumbi, e se classificou para as semifinais da competição sul americana.
Quis escrever sobre esse jogo principalmente por causa da reação da torcida do Fluminense. Muito provavelmente, ecoava dentro das mentes cariocas uma raiva contra o São Paulo, o time que ganhava tudo, na época ainda era pentacampeão brasileiro mas já tri da libertadores e tinha conquistado um Mundial de Clubes da FIFA. A raiva se misturava com a vontade de vencer o bicho-papão do futebol brasileiro, que naquele mesmo ano de 2008 conquistaria seu sexto título brasileiro.
O São Paulo já não despertava tanto medo para o tricolor das Laranjeiras, não era mais aquele carrasco que durante muitos anos  assombrou o time de Nelson Rodrigues, tanto que em 2004 o Fluminense venceu o tricolor paulista por 1 a 0 pelo returno do Brasileiro, e quebrou um tabu de 17 anos sem vencer a equipe do Morumbi  no campeonato nacional. Ali, acabava uma era de freguesia em relação ao São Paulo, tanto que em 2005 e 2007 o tricolor carioca venceu o paulista, 2 a 1 no Maracanã e 1 a 0 em SP, respectivamente, sendo que a vitória fora de casa quebrou um outro tabu, desde 1984 não vencia o São Paulo jogando  no Morumbi.
Voltando ao triunfo de 2008, acho que a torcida do Fluminense gritou alto por vencer e destronar aquele que antes ganhava tudo. Após o primeiro e o segundo gol, comemorações eufóricas, regadas a muitos “porras” e “caralhos” gritados por jovens e velhos das arquibancadas. Após o terceiro gol então, nem se fala, aí sim, espalham-se vários “porras” e “caralhos” pelo Maracanã, além de outros xingamentos e principalmente, “toma no cú São Paulo, acabou essa porra”. Na volta, dentro do trem, do ônibus, ou do carro, mais “porras”, “caralhos” e muitos “toma no cú São Paulo”, palavrões proferidos entre uma música e outra cantada pela torcida, que varreu a madrugada com mais xingamentos, mas é claro, também cantou palavras de amor ao seu time.
Agora todos esses “toma no cú”, “porras” e “caralhos” tem um novo alvo, o Corinthians. O Fluminense não vence o “Timão” desde 2005, e o tabu inclui uma eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil, em 2009. Com certeza, se o tricolor das Laranjeiras vencer o jogo no RJ, acontecerá mais uma vez uma sucessão de “xingamentos”, entre eles o “toma no cú Corinthians”, misturados a juras de amor. Tudo isso no caminho de volta, não mais do Maracanã, mas agora do Engenhão,  principal palco do futebol carioca  até 2014.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sutilezas antes da pancadaria

                              Há muito tempo que queria escrever sobre como alguém trata seu adversário numa discussão ou num prenúncio de uma agressão física. Começa aquele desentendimento, e quando a conversa esquenta, alguém solta:
-Meu irmão, não f...
 Estranho usarem o tratamento “Meu irmão”, no meio de uma discussão acalorada. “Meu irmão” é usado freqüentemente na igreja, quando o padre chama os fiéis, ou para se referir a um compadre ou, seu próprio irmão, filho de seu pai e mãe!
Outro tratamento comum nessas conversas tensas é o substantivo “amigo”. Normalmente amigo é uma pessoa que você goste, de quem você espera cordialidade. No entanto, essa palavra é utilizada numa “pré-briga”. Muitos devem ter reparado em frase como: “Amigo, num quero sabe, ou tu me paga ou o bicho vai pega”, ou “Amigo, já to perdendo a paciência”. Soa no mínimo estranho essa palavra num meio de xingamentos e trocas de ofensa.
Até palavras estrangeiras aparecem num bate-boca. A palavra“brother” é usada constantemente. Não só para uma gentileza, mas também antes de uma ofensa. Quem nunca ouviu um “vai se f... brother”, ou “ahh brother, vai toma no c...”.
Na linguagem paulistana, o “truta” é referência para aquela ou aquele que é parceiro, amigo. Porém, em diversas discussões que já vi oriundas da terra da garoa, a palavra truta era incorporada, mais presente na frase “Qual foi truta?”. “Mano” e “sangue bom” também são sutilezas encontradas no auge de um bate-boca.
É claro, ninguém liga para isso, e nem deve. Agora que já está sim, que fique. Mas é estranho e notório ouvir palavras normalmente usadas com cordialidade e que vão parar num bate boca mais próximo.
Imagine uma discussão meio suavizada, clássica, tipo essa.

-Se vossa senhoria despertar-me irritação novamente, me verei obrigado a lhe desferir uma bofetada na face.
- Se vossa senhoria fazer o que disse, serei obrigado a retrucar a enfiar minha mão em sua cara e um chute em seu traseiro.
-Então, que vossa senhoria vai beber nos líquidos de seus anais!
- Vossa senhoria que vá em direção a aquela que roda a bolsa e que deu a luz!

Abre o olho Vasco

É melhor que o Vasco tome cuidado, em dois jogos, duas derrotas no carioca. Quem não estréia bem no estadual costuma ter problemas durante o brasileiro. Em 2005 o Flamengo começou o ano tomando de 3 a 0 do Olaria no Maracanã, e depois passou sufoco no Campeonato Brasileiro, por pouco não foi rebaixado, escapou graças ao Papai Joel. Três anos depois o próprio Vasco estreou na Taça Guanabara perdendo para o Madureira em São Januário, 2 a 1, e no mesmo ano foi rebaixado para a Série B do nacional. Em 2009,o Fluminense perdeu a primeira partida do ano para a Cabofriense na Região dos Lagos, 3 a 1. Na mesma temporada, foi um sufoco para escapar da queda na Série A, quase um milagre que apelidou a equipe tricolor de time de guerreiros. É melhor abrir o olho cruzmaltinos, pois os times pequenos do Rio de Janeiro são muito ruins, e perder dois jogos seguidos para eles é muito preocupante, sinônimo de briga contra o rebaixamento.
Feliz com o Paris Saint Germain, meu time na França e que está na segunda posição do campeonato nacional. Será que vem título para esse time azul e vermelho? Só foi campeão francês duas vezes, em 1985-1986 e 1993-1994.

Brisa é oásis

             No verão carioca, brisa é que nem Oásis. Disseram que esse ano essa temível estação seria mais amena. Amena é o c..., isso aqui tá mais pra introdução de filme de fim de mundo.  Embaixo de um sol escaldante, só resta aos cariocas encontrar um ar condicionado, como o gato que corre atrás do rato. Quem não tem água, vai procurar um Oásis, e nesse caso, uma brisa. Suave refresco natural, aquele ventinho curto é uma alento gigantesco, como água doce no meio do mar, ou como um aroma agradável em meio ao terrível fedor da ilha do fundão.
                Durante o verão, os shoppings ficam lotados, todos querem curtir um pouco aquele livre ar condicionado e comemorar por essa invenção existir. Vendedores nas lojas ficam apreensivos, ninguém entra na loja. É claro, só foram para o shopping por causa do ar condicionado, tadinha da moça da loja.
Pobre dos seguranças, andando de terno preto no meio desse inferno. Cachê devia dobrar por causa disso. Lembro-me de uma cena peculiar, quando passava perto do relógio da central e um rapaz de terno preto, provavelmente segurança, estava plantado embaixo de um sol furioso e destruidor. Uma senhora observou a cena e foi solidária com o rapaz, trazendo-lhe uma garrafa de água.

Em tempos de escassez de ventos e quando não falta sol, quem tem brisa é feliz não precisa mais de nada.  É como alguém com um olho numa terra de cegos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ônibus voador

Saudações aos leitores. Volto depois de um tempo ausente com um poema relacionado a um desejo para o transporte público. Abraços para todos.


                                                           
                                                             Ônibus voador

                                                            Se meu ônibus voasse
                                                            Não há quem o assaltasse
                                                            Nem que o queimasse
                                                            Ou engarrafasse
                                              
                                                            Volta e sorri a paciência
                                                            Que se perdeu na estrada
                                                            Toda engarrafada
                                                            Carregada de pneus e de fogo

                                                            Os bandidos armados, atiram para os lados
                                                            E meu ônibus diz, já saí dessa cumpade
                                                            Chega de chão, de jaburu, carroça e caminhão
                                                            Agora só paquero avião, aero motor,
                                                            gaivota e disco voador

                                                             Não quero saber de labareda, nem de desespero
                                                             E nem quero xingar outro sinal vermelho
                                                             Vou pra baixo, pra cima
                                                             Não me encontra mais na esquina
                                                             Quero espaço, estrela, lua, fazer contato
                                                             Chega de buzina, barulho e asfalto

                                                              Acordo no banco lá de trás
                                                              Viação cheia, os carros ao lado parados
                                                              Transporte enjaulado no trânsito
                                                               Suor é um amigo íntimo e indesejável
                                                              E o calor que nunca foi amável,
                                                              É mais que insuportável, é imcomparável
                                                              Pelo o que sofre essa gente
                                                                                                                          
                                                              Se tu voasse ônibus, teria alguém que chorasse
                                                              Nem por amor, tristeza, agonia ou dor
                                                              Mas sim por felicidade, alegria
                                                              De voar, andar no céu
                                                              Seja pra onde for